Loading

sábado, 3 de novembro de 2012

Em céu de brigadeiro, por um lugar acima dos 10 mil pés


Aos que imaginavam céu de brigadeiro passadas as turbulências provocadas pelas eleições, acirradíssimas na Capital de Mato Grosso do Sul mais em função da troca de acusações e ataques desmedidos, enganaram-se. Uma nova e mais provocante etapa de disputa por poder político tem início, mal passada a ressaca das urnas.

Por entre os corredores da Câmara Municipal, entre as paredes dos gabinetes, desenrola-se a disputa pelo poder da presidência da Casa de Leis, longe, muito longe do entendimento do cidadão, mas que influi diretamente em suas vidas, mesmo que isso não se aperceba. E não pensem que os votos depositados nas urnas por cada um dos eleitores não tenha uma relação direta com isso. A cada opção por um candidato, o voto tem o poder de “dar poder” a um partido, uma coligação ou um vereador eleito.

Nesta disputa democrática, alguns nomes estão definitivamente vetados pelos grupos que se formam e outros surgem fortes para a presidência e demais cargos da mesa diretora. Em época de governante com minoria na casa, aguarda-se uma disputa de quatro anos, momento em que todos tentam obter benefícios até retomar seus pensamentos e ações para o povo, em meados de 2016, com um breve intervalo para eleger seus padrinhos para a Assembleia em 2014.

Haveria um modo de fiscalizar, com o comparecimento e participação da população nas sessões da Câmara Municipal, no entanto este não é um hábito dos brasileiros, o que vem a atender as preces dos nossos edis.
Outra eleição que vem movimentando expressiva parcela da população sul-mato-grossense é para a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso do Sul. Quando se esperava uma disputa amena, embasada no embate de ideias e proposições, os candidatos se digladiam por meio da mídia e da própria justiça. Aceitam os termos preestabelecidos pela Comissão Eleitoral para, em campanha, desconsiderá-los. E tomam como ataque pessoal a este ou aquele candidato, qualquer matéria de caráter informativo que questione o que se afigura como erros de administração ou postura ética.

Não, de forma alguma temos interesse pela vitória de qualquer das chapas, mesmo porque somos jornalistas, não advogados. Nosso interesse é bem informar, de forma isenta. Este é o nosso entendimento sobre uma Instituição como a OAB, que representa importante papel social e indica a parte da justiça que chega ao conhecimento dos leigos.

Em qualquer caso e em todos os casos que impliquem interesse da população, não mediremos esforços pelo bem informar. É nossa função, e mantermos a isenção e imparcialidade é nossa ética.

Publicado como Editorial em Jornal Liberdade MS - ed. 63 - de 04/11/2012.


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

As mosqueteiras e a governabilidade de Campo Grande - MS


A eleição plebiscitária de Campo Grande acabou. Que não se culpem nomes como tem sido feito por aqueles que aproveitam momentos para atacar desafetos. O jogo político foi jogado da maneira com que todos nós estávamos acostumados. Acusações sem provas, ataques pessoais por materiais apócrifos, xingamentos. E nenhuma proposta.

Promessas. Apenas juramentos de resolver os problemas enfrentados principalmente pelos que vivem “em situação de vulnerabilidade social” conforme a cartilha dos politicamente corretos. Pobres sem eira nem beira, à mercê da disposição e boa vontade daqueles que deveriam exercer o cargo em nome do, e por este, povo.

E agora, Bernal eleito. O que é, ou era, Alcides Bernal antes desta eleição? Radialista de grande penetração nas camadas mais pobres, vereador e deputado de pouca visibilidade, insignificante trabalho e pífios projetos. E agora? Bernal prefeito da Capital de Mato Grosso do Sul.

Temos, pois, um prefeito de viés populista, visto e entendido pela população como um político “não político”, ou seja, não pertencente aos grupos de comandos e conchavos, o que lhe permitiu expressiva votação, como única forma de rompimento de um ‘status quo’ que teimava em permanecer no poder.

Mas a eleição não faz o administrador público. Bernal, por si ou pelo seu Partido, não tem estrutura para bem governar, até porque nunca conseguiu conviver de forma harmônica com seus pares.

Por outro lado, a arquitetura política do PMDB e PR, provaram estar esgotada. Artífices do poder, não souberam atribuir valores a quem os merecia. Tomavam para si os louros e restringiam a visibilidade pública aos seus parceiros. E tanto acreditaram neste poder supremo que entenderam serem dispensáveis os parceiros de jornada. Foram abandonados, ficaram sós.

A quem interessava e quem poderia vencer as eleições? Ao Partido dos Trabalhadores? Não poderia vencer as eleições por falta de empatia com os eleitores de Campo Grande e de candidatos, sempre angariou os votos contra o poder que se entendia consolidado. Reinaldo e o PSDB apenas pretendiam (e conseguiram) sedimentar poder de urna para fortalecer a candidatura do próprio Reinaldo Azambuja ou do deputado estadual Márcio Monteiro, ao senado, e resgatar a força política que se esvaia com a saída de cena de Marisa Serrano e Waldir Neves, além da perda de Ludio Coelho. Ao PV, a possibilidade de ser visto e entendido como Partido Político, e uma secretária ou cargos no segundo escalão. Em que pese o oportunismo de Sidney Melo, ao PSOL restava marcar posições e alguma barganha e, ao PSTU difundir um discurso socialista.

Mas a frente de oposições pensada e articulada, com ativa participação do senador Delcídio do Amaral, esta sim poderia fazer frente à maquina política entronizada na Assembleia, Parque dos Poderes e Prefeitura Municipal. E fez.

Alcides Bernal, antevendo a real possibilidade de vitória e consciente das limitações políticas impostas pelo seu isolamento, soube ter a grandeza da humildade e atendeu ao jogo democrático da coalizão de forças que apenas se entende com a interação de projetos e propostas. Sem, necessariamente, perder o poder, governará junto.

Péssima decisão a todos os que o abandonaram, que o diga o PSD, de Antônio João, que tentou ser a pá de cal de sua candidatura.

Mas a ousadia tem seu preço e Bernal enfrentará maioria oposicionista na Câmara Municipal. Dos partidos de sua base, foram eleitos apenas oito dos vinte e nove vereadores. Evidente que deserções haverá, e já iniciaram com o PSC e seu vereador Herculano Borges. Outros virão. Mas como amainar este problema?

Mosqueteiras serão as guardiãs de Bernal

De toda a base de apoio ao prefeito eleito, apenas três das vereadoras têm reais condições de articulação e conhecimento político que lhe permitam um diálogo com o legislativo: Luiza Ribeiro (PPS), Professora Rose Modesto (PSDB) e Taís Helena (PT). Excetua-se da lista um improvável Dartagnan Zeca do PT, não por incapacidade, mas por estilo.

Todos os outros são figurantes, talvez e improvavelmente até capacitados para a vida pública, mas sem os conhecimentos e o poder de articulação necessários. Mas, como o poder seduz, não seria de estranhar que outros, além de Herculano Borges, se bandeiem para o apoio a Bernal, principalmente se os ares que sopram em direção a 2014 apontarem um governo Delcídio (ou Reinaldo). Neste caso, o atual reinado estaria encerrado de fato e de direito e, como Rei morto, Rei posto, os ferrenhos companheiros de jornada seriam improváveis apoiadores.

De qualquer forma, a articulação para a formação desta bancada de apoio e a aquisição de novos companheiros de jornada, bem como a difícil missão de encontrar espaços na nova composição da direção da Casa de Leis, passa pelas afiadas espadas das Mosqueteiras da Governabilidade Municipal.
Pelo bem do povo de nossa Capital, sem exceções, que elas tenham tanto sucesso quanto os heróis homônimos de Alexandre Dumas.


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Os últimos rugidos da prepotência

Findam-se as eleições, neste domingo (28), deixando atrás de si um rastro de escuridão e trevas, mas descortinando um horizonte mais amplo, plano e iluminado. Esqueçam o que possam saber de eleições e procurem apreender a nada sutil guinada que demonstraram as campanhas e as urnas.

O povo entendeu sua soberania de vontade e, de massa que acompanhava os “formadores de opinião”, tomou as rédeas e inverteu os conceitos. Ainda que se questionem as eleições proporcionais, eivada de escolhas por conceitos ininteligíveis que colocam como representantes os populares, os simpáticos, os que investem dinheiro ao invés de competência, os populistas, os vazios. Mas até ai é a maneira de qualificar os eleitos. Voto por questões menores naqueles que têm atividade menor. Ninguém, exceto os próprios legisladores municipais, lhes atribui mérito.

Não importa, absolutamente, o resultado das eleições majoritárias, importa sim que caíram os mitos das pesquisas, das campanhas que transformam gente – com seus erros, acertos e suscetibilidades – em produtos perfeitos, da massificação midiática que transforma o errado público em culpa individual de cada cidadão. Basta. Os candidatos ungidos pela forma de se fazer um candidato vencedor, perderam sua sustentação.

Restam os últimos rugidos da prepotência dos mandatários e sectários que se digladiam nas redes sociais, nas denúncias públicas ou apócrifas, nos ataques pessoais. Ladram, rangem os dentes, mas a caravana não se detém e sequer se abala.

O povo, lentamente, vem tomando as rédeas de seu destino social. O poder legislativo onde antes grassavam ineptos, vem sendo ocupado passo a passo por aqueles que trazem um currículo de trabalho e competência. Paulatinamente. O executivo sofre mudanças em nome da alternância do poder, enfim compreendida.

É o caminhar à frente. Depois dos primeiros solavancos da saída da Ditadura e do impeachment de um presidente eleito, estabilidade econômica seguida de ações sociais concretas, retomada do judiciário ao posto de terceiro e independente poder, ajeitou-se a carga. Ainda estamos aquém do que necessitamos, mas ficamos eretos e começamos a andar.

Editorial publicado no Jornal Liberdade MS - edição 62 de 28/10/2012.

sábado, 29 de setembro de 2012

Sem chances de reconciliação


O aprimoramento das regras eleitorais é mais que urgente, pois estão atrasadas no que se pode considerar, pela velocidade das mudanças que a sociedade assiste, em séculos.

Não importa aos candidatos, aos institutos, à mídia que divulga os resultados, mas seria lógico questionar a população, em pesquisas, o grau de conhecimento dos currículos, programas partidários e propostas de cada candidato da majoritária. Cremos que o resultado não surpreenderia.

E o que falar da avalanche de candidatos a proporcional, distribuídos pela infinidade de partidos. Candidatos e partidos sem significância, sem nada.

Mas a quem, senão à Democracia (governo do povo; governo em que o povo exerce a soberania) e por extensão aos cidadãos, interessa esta mudança que permita ao eleitor optar por aqueles que lhe representarão verdadeiramente e com os quais tenha afinidade de princípios.

Democracia e a atual classe política divorciaram-se, sem chances de reconciliação.

Somos cúmplices, sim. Quando calamos em relação ao desmoronamento da educação, que é brindada com sacolas de beneplácitos sociais. Investir na melhoria da qualidade de ensino desde as séries iniciais, instituindo além de salários e condições dignas aos professores, promoções meritórias, bem como aos alunos, para que estejam preparados para ingressar no ensino superior, todos em igualdade de condições. Preferimos as cotas, ou resolvemos dois problemas que sequer deveriam existir quando sustentamos através do Prouni, faculdades e universidades fadadas à falência pela baixa qualidade do ensino.

Um povo só exerce seus direitos quando consciente destes, e a conscientização passa por uma sociedade mais que letrada, culta. Fragilizaram o povo endeusando aqueles que deveriam ser seus representantes.

Cabe a cada um se apresentar à luta, questionando, desmoronando o castelo de cartas das mentiras repetidas como mantras, descortinando o palco desta apresentação bufa, até que as regras sejam mudadas, até que as ideias prevaleçam.

Postado como Editorial no Jornal Liberdade MS - ed. 59.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Se não for pelo amor, será pela dor


Este texto foi escrito em 2006, creio que setembro, e publicado no jornal diário Folha do Povo de Mato Grosso do Sul, anterior à criação do blog. No entanto, caiu em minhas mãos, por estes dias, o original. Reproduzo por acreditar que ainda hoje, e por um bom tempo, refletirá sempre a verdade (do meu ponto de vista) sobre a política em época de eleições.

setembro de 2006

Alguns fatos tipificaram esta eleição:

1 – Alterações da lei eleitoral em cima da hora deixaram candidatos com dinheiro de caixa dois que não pode ser “esquentado”, e seu destino (camisetas, brindes etc.) perdeu a razão de ser, e os materiais permitidos são, desde sempre, confeccionados com notas fiscais de valor fictício;

2 – Este dinheiro que é maior para uns, está servindo de compra de votos, como prova pesquisa recentemente divulgada;

3 – O horário eleitoral (que penaliza as emissoras, mas de gratuito não tem nada) é tão acompanhando pela população quanto ”A Voz do Brasil”, não determina voto;

4 – As reuniões residenciais contam com a média de 50 eleitores. Sabendo que um deputado estadual se elege com 25 mil votos e um federal com 40mil votos (Mato Grosso do Sul), façam as contas do número de reuniões necessárias (nem todos saem destas reuniões com seu voto definido e os que o fazem não são multiplicadores de votos);

5 – No frigir dos ovos, o eleitor votará naqueles que já exercem o cargo até porque  não memoriza o número do candidato que porventura tiver escolhido. A maioria dos candidatos será reeleita apenas e tão somente em função disso.

E o que significa o voto nulo ou o voto em branco? Há certa exacerbação de temor do voto nulo, talvez maior até do que no voto facultativo. Por quê? Talvez por referendar uma democracia capenga onde os opostos se atraem, se completam e passam a ter a mesma face na mesma Casa de Leis.

Aproximadamente 60% dos eleitores, a poucos dias das eleições, não tem definido seu candidato aos cargos de deputado estadual e federal. Se não levarmos em conta a hipótese número 5, se contarmos que estes votos se definam como nulos, qual será o foco desta luz? Qual fato é iluminado?

Esses 60% de votos nulos indicariam claramente o que a consciência grita. O poder legislativo está desacreditado como um todo. Ninguém sabe em quem votar... ninguém sabe em quem votou... ninguém sabe o que faz o eleito (exceto os habituée de páginas policiais).

Esta realidade, confirmada com o voto nulo nos coloca frente a frente com o perigo iminente das articulações de quem e sonha um governo ditatorial. E não são poucos. E não estão tão distantes do poder.
Da nossa história, por força do ensino (e não me refiro a educação), conhece-se a “oficial” e nada além. Assim como hoje não se tem consciência dos nefastos anos de inflação e seus sobressaltos, perdeu-se a noção da ditadura que quase nos destruiu como cultura, como Nação.

Como desejamos um Congresso, qualquer que fosse, mesmo este... Como desejamos liberdade para contestar, protestar, inquirir, mesmo que fossem poucos os “com permissão” para isto.

O voto nulo pode ser questionável, mas é um direito do eleitor

Contabilizados os votos, que os eleitos pensem a respeito. Contem brancos e nulos, some parcela dos votos dadas aos reeleitos (lembrem-se da forma pouco ortodoxa de pensar do eleitor, que prefere deixar como está para não correr o risco de ver como fica, ou a situação pior).

Num golpe de estado aos moldes da “Redentora”, ninguém é amigo do rei, que o digam Carlos Lacerda e outros golpistas de primeira hora.

Quedas de avião e abalos democráticas, diz a sabedoria popular, vêm sempre em três. Mirem-se nas mulheres de Atenas, na Bolívia, na Venezuela,  mirem-se onde quiserem... mas, mirem. Mirar é mais que apenas olhar.

Voto nulo é um protesto válido e legal, mas como todo protesto tem suas consequências para o bem e para o mal.

E os jornalistas que poderiam e deveriam agir como agentes da inquirição e arguição portam-se como atores de ópera bufa. Seguem o script: pergunta – resposta, sem conteúdo, sem malícia, sem nada. É triste ver candidatos relatando dados falsos, mentiras escancaradas, e estes jornalistas seguirem para a próxima questão sem o menor questionamento, sem qualquer pudor, como se estagiários ainda, sem a postura jornalística, sem o verniz com que o tempo adorna.

É triste. Soa como se as perguntas contundentes fossem feitas sem embasamento, apenas por ouvir falar, tão somente para ter uma resposta, seja qual for. O que o espectador deduz é que: é tão importante a presença desses candidatos para as emissoras, um enorme favor que eles fazem, que lhes é submetido antecipadamente o script dessa entrevista e há aprovação e respostas acertadas entre as partes.

E a mídia impressa se rendeu perdida entre a internet e a queda de leitores, e continua estampando notas curtas sobre todos os assuntos, buscando um tempo em que não há tempo, esquecidos que ler um jornal é prazer e cultura adquirida. Não é uma questão de tempo de informação, é questão de qualidade de informação.

Podemos aproveitar essa eleição sem graça, sem chame e, pior, sem consciência. Podemos nos redirecionar para uma Nação mais completa e digna. Sempre haverá políticos corruptos, aproveitadores travestidos de eleitores, golpistas, mas respeitado o princípio básico da democracia: que a maioria dite os rumos deste país e que esta maioria esteja efetivamente comprometida com este povo que,em síntese é sua razão de ser. É a Nação.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A política é um grande Big Brother


A vida pode imitar a arte, mas a política imita porca e parcamente um big brother tupiniquim mal-ajambrado. Cada um dos participantes tem menos interesse em demonstrar suas próprias potencialidades e suas personalidades do que derrotar seus adversários. E, assim como no Grande Irmão, companheiros que lutavam na mesma trincheira, com o afunilamento da disputa, partem para o “Seja o que Deus quiser” das intrigas e das emboscadas.

Amigos, amigos, vitória à parte. E a vida naquela grande redoma televisiva atrai  simpatias ou define repulsas a um ou outro e, caso algum se veja banido por paredões democráticos, redefine-se a preferência em tantos turnos quantos necessários.

No entanto, por mais que desperte e prenda a atenção, o público sempre estará separado dos “escolhidos”, dos vitoriosos e do próprio jogo. O público vota, escolhe e define, mas não recebe o bônus do prêmio.

Você, leitor, pode até enxergar certo exagero na comparação, mas tente lembrar-se do vencedor da última edição e, se você participou, tente lembrar o nome do “brother” que mereceu seu voto. Tente mais, mova e remova sua memória e siga mentalmente os passos do vitorioso, aquele que mereceu tempo precioso da mídia televisiva, o “herói ou heroína” descritos em prosa e verso por Pedro Bial, após sua reintegração à vida cotidiana.

A política está volátil como um boto exposto no aquário virtual. Diferente do tempo dos embates públicos, de grandes comícios por falta de veículos de comunicação que, na verdade, menos comunicam e mais massificam. Imagem sem conteúdo para políticos  vazios.

Talvez por isso os Tiriricas, Romários, Popós. Com estes nos identificamos, destes nos lembramos, estes acompanhamos.

A TV completa 62 anos no Brasil e ainda não conseguimos enquadrar a política num formato moderno que nos remeta aos comícios e nos faça participativos e atuantes. Somos imprescindíveis ao show da eleição e descartáveis na ficção do cotidiano dos gabinetes.

Editorial publicado no jornal Liberdade MS - Edição 58.

Uma coisa puxa a outra


A semana ficou agitada em função da proibição de divulgação de pesquisa pelo jornal Correio do Estado, que apresentaria os índices obtidos pelos candidatos a prefeitura da Capital e a simulação de intenção de voto em um provável segundo turno.

Se por um lado, para nós jornalistas e em especial os que enfrentaram os anos de chumbo da Ditadura Militar é execrável a censura, pela qual os poderosos suspiram; por outro pode-se, a partir deste episódio, tentar avaliar todo o cerceamento que tem acompanhado o processo político eleitoral.

Estamos esbarrando no retrocesso da Lei Falcão, porém sem nenhum objetivo específico. Nada se pode e quase nada se deve fazer. Difícil, então, entender para onde caminha nossa democracia. É tanto remédio para conter a doença que pode vir a matar o doente.

Existem razões das duas partes. O candidato melhor avaliado seria, sim, beneficiado com a publicação, pois que a tendência do eleitorado é não desperdiçar o voto e, para isso, procura acompanhar a tendência em favor do favorito. Mas que o ônus não recaia sobre aquele quem melhor soube percorrer a senda a caminho do voto.

Pesquisas podem ser manipuladas, institutos sabem disso, candidatos sabem disso e a justiça sabe disso. Nesta terra de ninguém em que a política brasileira transformou-se em um coronelismo high tech, acreditamos que a juíza tenha se embasado na máxima: “In dubio, pro reo”.

Teremos, então, que conviver entre a desconfiança, a política pé torto e o peso da Lei. O povo, ainda é um detalhe.

Editorial publicado no jornal Liberdade MS - edição 56.

sábado, 15 de setembro de 2012

Reordenando a ordem


Reza a Constituição, e tem sido sempre desde a instauração da República, que três poderes independentes se completam, na divisão preconizada por Montesquieu em sua teoria da separação dos poderes. No entanto no Brasil, somente agora por ocasião do caso Mensalão, o Poder Judiciário parece rugir sua independência fazendo tremer e temer quem ainda tentou uma barganha indecorosa e indecente como costumam ser.

Nas palavras da ministra Eliana Calmon, que deixa a Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça, “a corrupção, que durante dois séculos reinou nesse país, a partir de agora tem um freio, e esse freio está no Poder Judiciário”, conforme entrevista concedida às páginas amarelas da revista Veja. E a verdade ferina de que o julgamento marca um momento histórico, está contida, talvez, em apenas uma palavra: reinou.

Ainda fazendo uso das palavras da ministra, a Justiça começa a perceber as mudanças que a Constituição Cidadã trouxe, e passa a conhecer o poder que tem e sua independência em relação aos outros poderes. Esse julgamento deve fazer a ligação entre o legal e o justo e este corpo único deve invadir todas as Cortes.

Corrupção haverá, como em todos os países, mas será estancada a sangria. Sempre terá espaço para aqueles que subtraem um país, mas no caso do Brasil após Mensalão, não irão rapinar a Nação, pelo fato de estes não pertencerem a Nação alguma. São apenas coisas, sem medidas, sem parâmetros, seres amorfos.

Ao Brasil a divisão de poderes preconizada por Montesquieu atrasou em séculos, que seja, então, infinita e que perdure. 

Publicado como Editorial no Jornal Liberdade MS- edição 12/set/2012.

sábado, 25 de agosto de 2012

Nasce um novo tempo em 2013?


Acordaremos no dia 1 de janeiro de 2013 sob a égide de um novo e promissor tempo, onde as mazelas sociais de saúde precária, educação claudicante, trânsito caótico, violência incontida, corrupção desavergonhada, começarão a ser erradicadas.
E nisso não há qualquer referência ou reverência ao aguardado “final do mundo como o conhecemos”, preconizado pelos oráculos das profecias Maias, antes e mais comum, são promessas retiradas das promessas dos políticos e candidatos a políticos em campanha.
 As soluções definitivas para cada um dos problemas tomam forma tão simples que chegamos a duvidar da necessidade de um prefeito executor das mudanças.
Para a saúde basta a contratação de pessoal e compra de equipamentos; para a educação a abertura de concursos e rejuste dos salários; para o trânsito investimento em ciclovias, reordenamento urbano, construção de viadutos e aumento da frota de veículos; para a violência a maior participação da guarda municipal e videomonitoramento das ruas; para a corrupção desavergonhada, vote em mim.
Na Câmara, qualquer um dos candidatos a vereadores prometem ser críticos ácidos de tudo o que venha a pesar contra a população, como aumentos abusivos de taxas e tarifas. Muitos vão além e prometem exercer atribuições que não lhes cabem.
Mas, ainda são promessas e não compromissos. Nenhum dos candidatos detalha a forma pela qual, em quatro anos, eliminarão as mazelas que agridem de forma mais direta os mais pobres, os expostos, os enxovalhados do círculo social daqueles que se autointitulam “poderosos”.
Como ter certeza disso? Não temos. Nos baseamos na história e não em previsões futurísticas. Sabemos apenas que, por exemplo, as últimas denúncias que fizemos sobre a falta de estrutura nos Ceinfs, o comércio ambulante em terminais de transbordo urbano, o abandono da Cidade dos Ônibus, ausência de calçamento dos prédios públicos, entre tantas, sequer tiveram uma resposta justificativa do poder público.
 Acordaremos no dia 1 de janeiro de 2013 sob a égide de um novo e promissor mandatário. Apenas isso.

Caso André Puccinelli - MS, a hipocrisia da denúncia


Como corruptos, corruptores e seus coniventes eleitores chafurdam na mesma lama.

Se o caso ganhou repercussão internacional, cabe publicá-lo aqui, mesmo porque cabe em qualquer lugar.

Longe querer inocentar da atitude antidemocrática o governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli do PMDB. Impensável seria, também, buscar argumentos que justifiquem o lixo sob o qual foi coberto o partido que abrigou todas as oposições durante a ditadura militar, saudoso MDB, por esta atual agremiação adesista. Mas o que sobra de hipocrisia em quem grava a reunião numa suposta indignação é imensurável.
Todos os que participavam da reunião, inclusive aquele que registrava a cena, fazem parte de uma parcela significativa da população que se arrasta por entre gabinetes, antessalas e supostos donatários do poder em busca incessante de ‘oportunidades’ de emprego em qualquer canto, por qualquer preço, mesmo a custa de parca capacidade para exercer o cargo que ocupa. Fazem parte do grupo de amigos, parentes, partidários, cabos eleitorais em tempo integral que infestam as repartições públicas e as tornam inoperantes. Culpados.
Responsáveis pelo desânimo dos concursados são, mormente, chefetes sem respeito, responsáveis por projetos que se arrastam anos a fio, idealizadores de procedimentos sem sentido. Podem ser encontrados às dúzias em todos os setores dos poderes legislativos e executivos e, em menor número, no judiciário.
Mentes inoperantes em corpos sem alma. Incapazes de se expor ao crivo exigente da iniciativa privada, que tem por dever gerar lucros que possam sustentar por impostos e taxas este governo eivado de parasitas a se sustentarem dos ditadores barões dos bananais.
Querer creditar indignação ou rebeldia a esta atitude é querer acreditar que possamos fazer uma viagem mágica galopando uma mula-sem-cabeça. O preço de se vender a favores é deixar de existir como ser humano e a revolta que se torna pública soa mais como ‘aceitar uma proposta mais vantajosa’.
Vamos ser sinceros, estava na reunião porque, tenha ou não capacidade, foi alçado a uma função por favores recebidos. Portanto, não reclame. Não some a sua traição à população outra traição, esta contra a mão que lhe pagou o preço estabelecido, muito superior ao que realmente é merecedor.
Nada que defenda as atitudes de um governador que mantém o poder sem manter o respeito, mas corruptos, corruptores e seus coniventes eleitores chafurdam na mesma lama.