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sexta-feira, 14 de abril de 2017

Corrupção generalizada: quando o povo fala, ou é, ou foi, ou será

Há uma estranha hipocrisia generalizada nos meios de comunicação e uma estranheza absurda e com ares de surpresa entre todos os gravitam, por dever de profissão, por safadeza, ou por atuarem como moscas na mesma b.... de sempre quando a Justiça divulga as delações premiadas.

Toda a população, por todo o tempo, estava consciente da corrupção generalizada na política. Foi necessário que um juiz, nesse caso específico o Sérgio Moro, desse prosseguimento às denúncias do Ministério Público e um ministro – ainda não acidentado – do Supremo Tribunal Federal, acatasse essas denúncias contra aquela pequena minoria que detém foro privilegiado, para que a voz do povo ganhasse corpo e, se justiça houver, se torne efetivamente na voz de Deus.

Foro privilegiado é concebível – ainda que discutível – quando em períodos ditatoriais, quando qualquer denúncia vazia levada adiante por amigos e apaniguados dos ditadores de plantão impedem o livre exercício das ideias. Não é o caso, hoje, do Brasil.

Foi preciso que se divulgasse a fala de Marcelo Odebrecht, “não conheço nenhum político que não tenha se elegido com caixa dois”, para que, surpreendentemente, a população tivesse noção disso? A mesma população cuja parcela considerável recebe, ela também, propina para definir seu voto. A diferença é de valores. A corrupção pelo voto atinge de R$ 20 a R$ 200 por cabeça; a corrupção dos eleitos vai muito, mas muito além.

Mas hipócrita é acreditar que o financiamento público de campanha vai determinar o fim do caixa dois nas campanhas. O dinheiro – não contabilizado – vai permanecer correndo solto, porque os negócios espúrios entre o público e o privado também continuarão.

Apenas a penalização em forma de prisão dos envolvidos dará início à mudança necessária de uma falsa democracia dominada pela máfia política seja contida “em parte”.

Passamos a viver uma segunda fase da democracia, uma vez que os eleitores, vítimas da ausência da “educação”, continuarão votando embasados na corrupção que praticam e da qual são vítimas. Agora, terão que optar entre os que se mantiverem aptos a exercer seus direitos políticos e, quiçá, livres da prisão, o que reduz em muito o contingente de 513 deputados federais, 81 senadores, membros do executivo.

Fazer cara de espanto não cabe em qualquer brasileiro. O povo sempre soube como se faz política por aqui, apenas não acreditava que haveria um momento em que a Justiça passasse a exercer sua soberania abandonando o chicote de compadrio dos outros poderes. Parece que a coisa “começa lentamente” a mudar.


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