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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Salário decente: A questão não é a aposentadoria é a pobreza dos nossos ganhos




Nossa expectativa de vida agora ultrapassa os 70 anos, nossa qualidade de vida fica a desejar. Enquanto os apaniguados dos políticos ganham bem, se é que é bem (depois discutimos) e perdem tantas sessões das Câmaras e do Senado discutindo a Reforma da Previdência, ninguém se atina para os baixos salários com os quais somos obrigados a conviver (viver em proximidade), estar quase apto a viver, nada que indique dignidade.

Poucos são os representantes da nossa Democracia que, efetivamente, trabalharam na lide da dureza. Ver pela janela de sua fazenda, senhora ministra Tereza Cristina, os esfalfados, a secura de suas peles e a rigidez e seus músculos, não significa saúde. Então fica confortável atribuir uma sobrevida e determinar que os '60 anos para aposentadoria de homens e mulheres do campo é ótimo'. Sinceramente. Passe apenas um dia ao lado de cá, não mais e sem o espanto do non sense.

"Hoje a expectativa de vida do brasileiro é de 75 anos. É preciso olhar todo o contexto da reforma, que precisa ser feita. Acho que até (a equipe econômica) foi condescendente com os trabalhadores rurais, que não precisarão chegar a 65 anos para homens e 62 para mulheres", afirmou a ministra ao Broadcast. "Tenho 64 anos e ainda quero trabalhar bastante", brincou. Isso não é brincadeira, é “Escárnio”, impróprio para uma conversa de bar, que dirá da boca de uma ministra.  

Só que não quero me aposentar

Não quero labutar e lutar e me lanhar durante tantos anos para, quando me faltarem as forças, meu corpo estiver alquebrado, ou não, talvez saldável, aproveitar do que?

Parem de discutir a aposentadoria, aquele pequeno período de tempo entre a inanidade e a morte. Dos milhões de brasileiros que conseguem trabalhar tanto, de sol a sol – e não estou falando das profissões que permitem um bem estar – estes mesmos tantos milhões sequer têm condições para sustentar seus alimentos e medicamentos, quiçá poder usufruir de laser.

Não vamos discutir aposentadoria, com os cálculos irreais a preencher planilhas sem levar em conta o tudo que falta na mesa dos brasileiros.

Sejamos mais sérios e sensatos, vamos discutir vida e viver, Vamos discutir como e com quanto viver. Vamos repensar o valor do salário mendicância, porque mínimo não é.

A Ford acaba de encerrar as atividades em uma de suas montadoras. De empregos diretos serão quase 3 mil, indiretos, aproximadamente 20 mil. Pronto, simples assim. Nenhuma responsabilidade. O custo Brasil onde são contabilizados impostos e taxas, somados ao  financiamento de legisladores corruptos, tornou inviável suas operações. Explicado. Mas não se explica os custos dos veículos, sejam caminhões, utilitários ou outros, bem acima dos valores praticados em outros países. Simplesmente assim, não temos responsabilidade com nada e ninguém.

Não temos que discutir Previdência Social

Pode ser uma suposição estranha, mas não entendo manter um trabalhador durante 30, 35, 40, ou até 1 ano submetido a condições tão incrivelmente ásperas.

Não vejo debates acalorados entre os que possuem proventos satisfatórios (para não dizer mais), sobre o salário da população, de forma geral. O Brasil usa e abusa de sua mão de obra. Esse país joga sua população no analfabetismo, na doença, na descrença. Tudo o que o trabalhador quer é receber o 13º salário e férias, não para gozar a vida, mas para abater dívidas.

São tantos anos trabalhados sem os benefícios de aproveitar a vida. Comprar um cimento e alguns tijolos para fazer o puxadinho que vai abrigar mais um ramo da família, daquela filha, ou filho, ainda menor, que espera pelo neto, porque não pude lhes dar uma educação de qualidade, aquele conhecimento que evitasse uma gravidez. Só porque sem nada o que pude lhes proporcionar, não viram expectativas de futuro. Tudo o que lhes restou foi a desesperança estampada em meu rosto, na face de tantos pais.

Vamos discutir Brasil, não esse que vocês brincam de possuir, mas um Brasil como Nação. Não acredito que seja mais importante discutir os poucos mais de 10 anos que nos restam e quanto vai nos sobrar após a peregrinação entre o banco e a farmácia, prefiro pensar primeiro em ter qualidade de vida entre os 16 e os 65 anos.

Senhores ministros, a morte aguarda a todos, e ainda acredito na Justiça Divina. Senhora Tereza Cristina, fique na lida durante um tempo com seus “peões”, longe de seu passado de sobrenomes de glórias e, depois, tente repetir essa sua declaração.

 



Prefeito: vergonha comprar jornalistas para curar a saúde



Se houvesse alguma hombridade em suas ações, o senhor(?) utilizaria do Sistema Único de Saúde (SUS). Lógico que não. Eu mesmo que sou um crítico do sistema, todos os anteriores secretários, não utilizamos. Não funciona e a culpa não recai sobre os profissionais, mas sobre a administração, incrivelmente falha.

Prefeito, gaste menos com publicidade e mais com a administração das várias pastas. Tenha ao menos um pouco de vergonha de encarar a população de Campo Grande após tantas promessas de campanha: transporte público, contenção de tarifas – “eu sempre fui contra, se necessário reduzirei o número de secretarias. Chega de marmotagem.

Beira o ridículo as visitas surpresas quando você não explica o porque falta tudo na saúde. Pense bem, seu irmão é médico e deixou a saúde em quem está sendo investigado pelo Ministério Público, O ex-prefeito, na área da saúde tem problemas com o aterro sanitário, que, em última análise, é saúde preventiva. Tem problemas com o GISA – e olha que ai, tem senador e ministro da saúde. Tem problemas com licitações.

E você, agora acompanhando as unidades de saúde. Por que? Esse poste colocado como secretário de saúde, sequer consegue contratar médicos. Aliás, ele comparece ao gabinete? Trabalha? Tudo fica sob a administração de uma adjunta que, ainda que possa desenvolver alguma capacidade, ainda não desenvolveu competência para isso? Ninguém confia na sua administração, nem você, ou não teria que vistoriar as unidades de saúde. Mas vai. Acho que é se expor demais, afinal não explica a falta de medicamentos, de profissionais, de insumos, de materiais; prefere jogar a culpa nos “profissionais”.

Comprar a imprensa – e eu não considero imprensa àqueles que se vendem tanto – dando destaque à matérias direcionadas. “As visitas surpresas feitas pelo prefeito Marquinhos Trad (PSD) nas unidades de saúde de Campo Grande são elogiadas pela população, que alega que alguns funcionários precisam da presença de uma autoridade para prestar serviços de qualidade na saúde pública”. Quem, cara pálida?

Esse advogado não conhece administração pública, não conhece engenharia, não conhece saneamento, não conhece a própria população. É cria de berço de ouro, mas pretende palpitar sobre tudo, inclusive sobre viadutos e pontes podres, sempre acompanhado de secretários nulos e com o apoio de seu líder na Câmara e uma bancada de vereadores do, “Opa! Achei minha boquinha”.
Um dia faz, no outro desfaz. Um dia o viaduto estava em perfeitas condições, no outro divulga com pompa e circunstância uma equipe para vistoriar o podre que coloca em risco a população. Chega a parecer aqueles gestores que necessitam que lhes peguem às mãos para tomar um rumo, ou aguardam um convite por escrito para direcionar sua gestão.
Enfim, voltando à saúde, acredito que uma gestão que gasta dinheiro público para mascarar o que está errado, não é uma gestão séria. A Mídia que se se propõe a receber por isso, não merece credibilidade. Mas, enfim, coisas dos Velho Centro-Oeste.



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Para o que serve o alerta das barragens da Vale? Apenas como propaganda enganosa. Vergonha



Depois de cometer o crime que matou em Mariana e agora em Brumadinho, a Vale faz funcionar, sem o menor sentido – ou com todos eles – as sirenes de alerta em outras cidades ameaçadas de morte plena. Apenas um jogo de publicidade para demonstrar alguma responsabilidade que nunca teve. Nos chamem de patetas, apalermados, imbecis, seria mais digno.

Numa nota, a suposta criminosa Vale, até que se prove sua culpa, ou sua rizível inocência, começa a remover moradores de áreas em Ouro Preto e Nova Lima com a explicação de que a “Medida faz parte de plano de desativação de barragens a montante”.

Foram 75 moradores de áreas próximas a cinco barragens construídas pelo método a montante nas cidades de Ouro Preto (MG) e de Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). A remoção dos moradores faz parte do plano de descomissionamento (desativação) das barragens de Vargem Grande, em Nova Lima, e Forquilha I, Forquilha II, Forquilha III e Grupo, em Ouro Preto. (Fonte Agência Brasil).

Determinação da Agência Nacional de Mineração (ANM) que ordenou, também, que todas as barragens “a montante” existentes no país sejam extintas ou descaracterizadas até 15 de agosto de 2021.

Agências são as famosas “engana trouxa”. Estúpidas coisas que nos empurraram goela abaixo como se fossem controladoras de algo. Você, leitor, talvez sequer entenda o que é isso, mas sofreu e sofre nas garras dessas poderosas agências quando abastece seu carro ou moto, tudo regulamentado pela Agência Nacional de Gás Natural, Petróleo e Biocombustível (ANP); Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) que nunca chegou a termo nos acidentes aéreos; Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), também outra que não soube falar a linguagem popular pelos aumentos de energia; Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), essa é terrível, temos uma das tarifas mais caras do mundo em telefonia, que não funciona, que nos deixa à mingua nas estradas, que nos cobram tarifas absurdas; e agora a Agência Nacional de Mineração (AMN), tão desconhecida até permitir o assassinato de tantos e a destruição permanente de vidas e cidades.

Então... O crime de Mariana matou “apenas” 19 pessoas. Na contabilidade oficial, poucos. Gerou pouco impacto, o Brasil não sofreu. Extermínio de 19 é insignificante para um país pouco educado, pouco consciente de que os danos ambientais causados destruíram tudo; histórias, cidades e vidas. Mas agora foi diferente:

Centenas de mortos. Tudo destruído, A comoção nacional. Os olhos voltados com raias de sangue para esse cruel assassinato promovido por uma empresa. Pagaremos bônus e indenizações, para eles tudo se remonta a valores, como se houvesse forma de pagar um pai, uma mãe, um filho, um parente, um amigo, uma família.

Nada lhes perturba. Moram longe, alguns dos mandatários diretores, até em outros países. Aqueles países onde leis são cumpridas e eles, cumprem essas leis por medo e temor das penas, não por consciência.

Não é ridícula a atitude do presidente da empresa Vale, é um escárnio com nossa população.

Os centros urbanos de Ouro Preto, Nova Lima, Itabirito e Congonhas não serão afetados, sem a menor necessidade disparamos os alarmes. Querem o quê, disfarçar? Dizer que estão tomando providências? Desculpas para enterrar mais e mais corpos, destruir municípios e famílias?

E os nossos legisladores, o que fazem esses que moram em locais bem protegidos, longe de barragens, em condomínios fechados sob a proteção de guardas armados e particulares, sem a necessidade de utilizar o Sistema Único de Saúde, sem se importarem com os valores das mensalidades dos planos de saúde ou do custo do enterro de seus parentes, pois tudo lhes é custeado e subsidiado com nosso dinheiro?

A Vale mata, um crime violento contra os enterrados sob a lama, com os desaparecidos, com os “ninguéns”. Afinal, o que lhe custa esse pouco dinheiro? O que custa essa propaganda de transportar famílias para hotéis baratos quando muito mais custaria tempo de mídia para justificar o assassinato em massa?

Melhor disparar alarmes, divulgar e difundir a imagem de uma empresa preocupada com as populações às quais coloca em risco. Tudo isso sob o aplaudo das Agências Reguladoras, administradas por indicados de políticos. Nosso Legislativo é uma vergonha. Nosso Executivo terá que trabalhar muito para reverter esse vexame internacional. Mas quem consola as famílias? A única coisa que mais desejariam era manter sua vida simples, mas VIDA.

Para as Agências, para os deputados e senadores, para os dirigentes da Vale e seus acionistas, vamos deixar como está para ver como fica. Ninguém vai ser penalizado judicialmente, nosso judiciário é podre, toda a população sabe, apenas eles se reputam o bem sobre todas as coisas.

Há uma corja comandando o país e uma população inteira que o mantém, até pela sua própria sobrevivência, pagando tudo e, evitando chama-los de fdp, para não deturpar minha própria estirpe, mas pedindo que se acabe com o que não funciona, sem golpe, apenas pela cobrança constante de que honrem (eles não sabem o que a palavra honra significa, mas, vai que consigam ir aos dicionários, sempre há esperança) os mandatos que lhes foram outorgados pela população. Tantos não irão votar nos senhores, estão sob um mar de lama provocados por aqueles que financiaram suas campanhas.

Tinha uma ideia diferente dos israelitas, tinha sempre a noção que foi passada por Einstein, mas cai na realidade do CEO (Presidente para nós, pobres) da Vale do Rio Doce.


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Prefeito bota o terror e monitora servidores, em especial da saúde, ameaçando de exoneração




Bastou... Chega prefeito, já deu. Seja correto o suficiente, nem precisa mais para acabar com as ameaças para os servidores. Recebo tanto apoio, por que, apesar de não poder postar no meu site - afinal meu parceiro acredita que vai receber algum benefício financeiro para evitar o que todos veem, o que todos sabem – ainda tenho esse blog que me impede de ser mais um a lhe lamber as botas.

O sigilo de fonte para o jornalismo é Constitucional, ou será que você vai manter o esquema de terror e opressão nesse Velho Centro-Oeste? As denúncias são muitas, mas os servidores sequer podem postar tais críticas por estarem sendo monitorados. Utilize essa verba para administrar a cidade, não para evitar que a verdade apareça. Caso necessite, faça uma licitação para comprar tantas peneiras que sejam capazes de tapar a luz do Sol.

Haja verba para pagar tanto apoio. Eu também gostaria de um patrocínio para meu blog, e até para o site cenarioonline.com, mas diferente do site, não vou me render a você. Continuo aqui, firme e forte, expressando minha opinião. Você é um Trad, eu sou um Martins. Você herdou poder, eu herdei honra e determinação.

Você sabe o que é Democracia? Talvez não. Seu pai, Nelson Trad, conforme consta da wikipedia.org, também não tenha vindo a saber:

·         Em 2006, foi relator no processo do conselho de ética da Câmara e recomendou a cassação do mandato do deputado Roberto Brant (PFL-MG).
·         Como representante legal da empresa "O Bisturi- Equipamentos Médico-Hospitalares Ltda." Foi condenado, por cobrança de materiais faturados e não entregues ao Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social. Além do pagamento de débito, a empresa teve suas contas julgadas irregulares.
·         Nelson Trad foi alvo de ação popular que questiona o pagamento, pelo do extinto Fundo Estadual de Aposentadoria do Parlamentar de Mato Grosso do Sul, de pensões a quatorze pessoas, as quais recebiam, simultaneamente, o benefício e o salário.
·         Votou pela recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira - CPMF, com o nome de Contribuição Social para a Saúde - CSS. Na ocasião, por apenas três votos, o imposto que inicialmente era provisório, foi mantido.
·         Votou contra a suspensão da CPI do apagão aéreo em 2007.
·         Votou pelo fim do voto secreto no legislativo.

  • ·         Em 9 de junho de 2010, agrediu a repórter Monica Iozzi e o operador de câmera do programa CQC, da Band, após assinar sem olhar um abaixo-assinado que propunha a inclusão de 1 litro de cachaça no programa Bolsa Família. O programa foi ao ar em 14 de junho. Depois do incidente, o deputado abriu uma investigação e acusou a equipe de reportagem de agredi-lo o qual fora desmentido por um vídeo exibido na integra pela TV Bandeirantes. O deputado apoiou uma lei para impedir o trabalho da imprensa no Congresso.

Agora, tudo e todos impedem, ou melhor, temem a perseguição política e pessoal. O senhor não foi eleito para perseguir, mas para ouvir e assimilar críticas, melhorar o desempenho da Prefeitura Municipal de Campo Grande. O senhor foi eleito para legislar.

Por que tanto medo das críticas? Por que manter essa atual legislatura municipal sob suas botas? E por que os vereadores lhe obedecem e idolatram tanto? Verbas? Benesses?

Por que manter pessoas sabidamente incompetentes e ridicularizadas a nível nacional em seu staff? Pessoas que foram defenestradas pelos eleitores, pela sua incompetência ou suspeitas de atos não tão lícitos, em secretarias e demais cabides de ganhos, não de empregos, tarefas ou trabalhos?

Senhor prefeito (e deve ser grafado em minúsculas, mesmo), gostaria de viver na Capital que o senhor preconiza, mas vivo a realidade do que essa sua gestão nos oferece. Parabéns pela sua atuação célere em relação ao aumento de tarifas e taxas, afinal, haverá uma próxima eleição e, ainda que a “Lei” lhe beneficie com verbas públicas, ou seja, pagamos para que vocês tenham o direito de teoricamente “trabalhar pelo povo”, o Caixa Dois é uma sem-vergonhice e corrupção implícita que não será expurgada por “mais uma lei que não pega”.

Tão nosso, tão Brasil.


O Rio teve o ‘Menino Maluquinho’, Campo Grande tem o prefeito ‘Sem Noção’


Perdido, completamente perdido em suas funções, o prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad, quando faz, faz errado. Exceto pelo fato de prometer publicidade em sites pequenos e impedir – o que é execrável – que notícias reais sejam publicadas, promovendo uma autocensura – o que é mais execrável para os pseudo jornalistas – ainda mete os pés pelas mãos em qualquer ação que pretenda tomar.

Culpo mais os jornalistas, se é que podem ser assim chamados. Só não rasgo o diploma, porque não o tenho. Me envergonho por vezes. Atuam como daqueles assessores aos quais falta noção de profissionalismo, responsabilidade, vergonha na cara. Assessoria não é bajular e se dispor a escrever o que lhe mandam. Não sei, exatamente, quantas faltas ao curso superior comporta, mas parece que muitos deles faltaram às aulas.

Parece um bonequinho e age como tal

Como se tivesse mil saberes, além da advocacia e incrível capacidade de iludir seus eleitores com promessas de campanha não cumpridas - basta pesquisar os vídeos onde ele prometia tudo o que descumpriu, acordos que não sustentou, palavra dada que foram levadas ao vento.

Esse rapaz, com carinha e expressão de charge, exceto pelo apreço e carinho pela propaganda, onde investe e muito, sentindo-se solto, sem base de sustentação popular, contando apenas com uma Câmara de Vereadores inoperante, manipulada pelos mais experientes e que, sabe-se, envolvidos em tantas e boas, ele prefeito mete os pés pelas mãos.


Na saúde e, podem acreditar, existe um secretário para isso, em algum lugar incerto e não sabido, dá vexame e consegue ser incapaz de saber o que acontece e por que acontece. Não resolve e ainda atrai a ira justa de quem conhece e consegue tocar o atendimento e tratamento da população. Nada proporciona aos servidores, mas quer milagres. Culpa a tudo e a todos sem entender que deve apenas gerir, ah, sim, ter um secretário de saúde ou uma adjunta que sejam conhecedores de saúde e, principalmente, de gestão de saúde.

Vergonha alheia

Então vem a denúncia de apodrecimento das pontes e viadutos – Campo Grande é tão pobre nisso, nem asfalto temos, malha viária (ruas e avenidas) abandonadas e maltratadas. André Puccinelli, ainda que pese tanto contra ele, pelo menos fez; Nelsinho manteve – nas palavras do próprio Puccinelli – uma pipoqueira em nossas ruas e, talvez, querendo um adicional por turismo, uma Capital de crateras a serem visitadas. Refez uma Avenida Duque de Caxias que sucumbiu aos buracos e fissuras antes mesmo de ser inaugurada.

Bernal começou a reordenar, recapeando ruas, fazendo convenio com o Exército Brasileiro, e tudo foi por água abaixo – por vezes, literalmente – porque existe uma tacanha vaidade de fazer por si mesmo esquecendo que existe um projeto de governo e um projeto de poder.

Esse senhor que ocupa a Prefeitura de Campo Grande gosta de seu grupo, pouco se importando com um projeto de governo. Senão, vejamos, uma tradição Trad que se arrasta desde o velho Nelson Trad, passando por Fábio Trad de tantos cargos em instituições diversas, dai vem o Nelsinho Trad, urologista que se fez prefeito e, ainda que apesar de médico se tornou famoso e conhecido pelo Gisa  (Gestão de Informações em Saúde) sistema da qual a Justiça bloqueou R$ 16,6 milhões em bens dele (ex-PTB), dos ex-secretários municipais de saúde e atual ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), Leandro Mazina e outras 14 pessoas devido ao investimento mal feito, software de gestão da saúde que nunca foi implantado na Capital. 

Mudando de pato para ganso, me desminta, se for capaz

Nossas ruas estão novamente esquecidas. Normas técnicas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) são esquecidas, mas os trabalhos nojentos executados pelas empresas – lembram da Operação Lama Asfáltica(?), pois é, mudaram as empresas, mas não mudaram os empresários.

Então vem o prefeito e declara que “o Problema não compromete estrutura”, em relação ao viaduto da Ceará, em visita com a equipe da Sisep que vistoriou o viaduto do cruzamento entre a Avenida Afonso Pena e a Rua Ceará, com falhas e desgastes nas estruturas.

  • “As estruturas precisam de pequenos reparos, mas por questões estéticas. Eu sou advogado, mas se os engenheiros destacam que não atrapalham, não atrapalha”, declarou o prefeito.(conforme matéria do Campo Grande News)


Andando a pé, com pouco mais de 300 quilos entre todos, confirmaram por meio do arquiteto e urbanista o prefeito Marquinhos Trad (PSD), o titular da Sisep, Rudi Fiorese e o adjunto Ariel Serra declararam, ao visitar o viaduto que encobre o cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua Ceará, que os problemas eram apenas “estéticos”.

Mas, se eram apenas estéticos, por que criar, por meio de decreto, o “comitê de pontes e viadutos”? Esse rapaz que administra a Capital não tem senso, não se atina? Quer saber de tudo sem entender absolutamente nada? A saúde, um caos; os viadutos, caos; a operação tapa buracos retornando às mãos daqueles que são investigados; programas anteriores extintos e depois retomados meia boca com outros nomes.

Não existe projeto de governo, exercita apenas projeto de poder. O mais nulo da família Trad quer confetes, quer aparecer. Ao menos Fábio soube tirar proveito da época de sua presidência na Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS) e até que vem fazendo um trabalho razoável na Câmara dos Deputados – tem assiduidade e vai na base do “quem não é visto, não é lembrado” consegue boa avaliação; Nelsinho, apesar de tudo que mal fez na prefeitura e de estar enrolado na justiça conseguiu, por falta de opção ou incompetência cívica da população ‘estar’ eleito senador; o sobrinho de pouca ação própria, Otávio Trad, faz o que mandam e ponto final; mas o rapaz eleito prefeito, afeito e afeto a amigos, com administração chula, inconsequente ou sem poder de decisão, está fazendo tudo, obedecendo cronogramas, metendo os pés pelas mãos, mas tem uma gestão de acordo: sem noção.

Não consegue cumprir a palavra empenhada em campanha: transporte público, tarifação; vai do colo de um, que jura fidelidade, para o de outro, que lhe permite acompanhamento para evitar o pior [leia-se Reinaldo Azambuja] e o sustenta.

Estamos mal geridos, mas nessa mescla de nome, tradição, tomar conta de partidos, barganhar cargos e candidatos da Capital e interior, essa família tem um longo percurso político. Afinal, sabem como ninguém como trabalhar a mídia – e eu prefiro a palavra mídia para evitar denegrir a palavra jornalismo. Muitas denúncias são esquecidas, ou distorcidas. O peso da caneta que exonera é forte, o peso do dinheiro que sustenta a ‘mídia’ é muito, a publicidade, intensa. Os opositores ficam enlouquecidos por não terem a força da máquina; os jornalistas independentes ou, prefiro, éticos ficam silenciados, pois que os senhores da imprensa ou têm subsídios (migalhas distribuídas aos que rodeiam por debaixo da mesa dos grandes banquetes), ou aguardam por eles. Não podendo pegar as sobras, lambem-lhes as botas.

Parece que ainda demora para que o Velho Centro-Oeste venha a ter eleitores conscientes.



domingo, 17 de fevereiro de 2019

Caos na Saúde 2 – Mais indignação de Servidora da Saúde contra postagem ofensiva do prefeito Marquinhos Trad



Tudo sempre pode ficar pior. Após a postagem em redes sociais do  prefeito Marquinhos Trad, sempre buscando lançar luzes que possam cegar a população para os desacertos de sua administração, especialmente na área da saúde pública, servidores, de forma anônima para não sofrerem retaliações, divulgaram textos, utilizando as mesmas redes sociais. Esses desabafos estão sendo repercutidos.

Esgotados com o descaso e ofendidos com a atribuição da culpa pela inoperância na saúde, esclarecem o que a propaganda oficial não mostra e o o secretário e prefeito não querem ver.

Reproduzimos com correções gramaticais necessárias, mas buscando expor o texto como foi postado nas redes sociais, inclusive com as maiúsculas mantidas conforme original, e está sendo divulgado, para desespero da administração Marquinhos Trad e seu secretário Marcelo Vilela. Até quando o marketing oficial vai sustentar essa gestão.

Ilustríssimo senhor prefeito,

é realmente lamentável a distorção das palavras e valores pelas quais sofrem a "população e  servidores, esses  também eleitores e também contribuintes", pois também colaboramos com nossos impostos e que a população se beneficia dos projetos e práticas realizadas pela prefeitura e seus gestores.

Com muito pesar que, através deste desabafo, ressalto de forma real e contundente meu descontentamento perante algumas realidades que estão do lado de cá, da qual a "sua população" talvez não tenha conhecimento.

Servidora que sou, tenho prazer em levantar da minha cama cedo, por vezes às 6 horas, outras às 7 horas da manhã, algumas vezes nem durmo, pois escolhi ser servidora e plantonista da Prefeitura Municipal de Campo Grande – MS. Melhor, ESTUDEI MUITO para ser aprovada no concurso e ocupar o cargo que me foi confiado através de estatuto onde constam não só os meus DEVERES, mas também os meus "DIREITOS".

Direitos que todos os dias, e a todo momento, são violados pela sua gestão e demais membros da sua administração: falta de insumos e, quando existem, estão sucateados, como uma simples cadeira para sentar e prestar o atendimento. Faltam vacinas, esparadrapo, camas e vagas, faltam espaços suficientes para atender o seu " CONTRIBUINTE”, aquela POPULAÇÃO que aguardam atendimento SENTADOS NO CHÃO.

Falo porque vivo essa realidade. Não temos agulhas para aspirar uma medicação, não temos medicamento adequado para vômito, não temos alimentação para oferecer ao CONTRIBUINTE internado em situação de vulnerabilidade, não temos papel suficiente para imprimir os exames ou até mesmo para fazer a receita dos medicamentos.

"Se o Contribuinte sentir sede ", cadê o copo para oferecer água" ??? Fora que as ações de prevenção aos cuidados às doenças são organizados e custeados (ESTOU FALANDO DE $$$ ) por nós, pelo nosso bolso, enquanto a PREFEITURA e o gestor fazem bonito com o nosso dinheiro.

Posso passar o dia todo relatando o meu descontentamento em relação às condições de trabalho a falta de respeito com a "SUA POPULAÇÃO CONTRIBUINTE", que deveriam ser o mais importe, por ser o Patrimônio Maior (da Prefeitura). Hoje essa população passa por uma coleta de exame na esperança de um diagnóstico precoce livre de riscos à sua saúde, e esse exame não é analisado porque o senhor, COMO GESTOR, NÃO PROVIDENCIOU a quantidade necessária de reagentes para analisar esse exame; ou seja, o CONTRIBUINTE perdeu seu tempo, nós perdemos materiais e financeiramente fomos LESADOS pela falta de respeito dessa atual gestão que vai às redes sociais difamar os servidores, insuflando o ódio da "POPULAÇÃO" contra nós, os servidores.

NÓS não ganhamos bem, ganhamos pelo serviço prestado pelas 90 horas trabalhadas semanais, juntadas carga horária normal mais plantão. O que a população precisa saber é que seus direitos são violados quando se joga fora um material biológico por falta de reagentes e depois, são obrigados a criar desculpas como: “a amostra foi hemolisada” (quando as células vermelhas do sangue se rompem, e misturam com plasma ou soro). Como explicar que materiais foram desperdiçados, que o DINHEIRO PÚBLICO foi jogado ao lixo, pois tudo tem um custo, Inclusive a mão de obra dos SERVIDORES. Então, isso sim é falta de RESPEITO, isso sim é descontentamento.

Senhor prefeito, não somos robôs para trabalharmos e  obter como reconhecimento um aumento de salarial 3.04% enquanto outros cargos COMISSIONADOS, inclusive o seu, são reajustados em 30%, 50%, ou até mais. É evidente que com um reajuste salarial  desses, por  "40 horas " trabalhadas, sim, nos faria trabalhar mais satisfeitos e motivados, sem jamais reclamar e, como disse o sr., "SEM DESCONTAR NA POPULAÇÃO". Descontar o que e de que forma, meu caro?

Não descontamos nada e, por vezes não temos sequer defesa diante da insatisfação que se torna agressiva por parte dos usuários. Agressividade e revolta que está sendo insuflada pela sua gestão “INTELIGENTE” e suas atitudes. Muitos de nós, servidores, também  o elegemos na esperança de que tudo pudesse ser melhor e mais digno para usuários e servidores da saúde pública.

Lamentável que um gestor de uma Capital, em cargo tão significativo, pense e se expresse dessa forma. Logo, sou capaz de entender que RECONHECIMENTO, RESPEITO e GRATIDÃO nunca serão requisitos dessa Gestão!

#Despresível                     #Deplorável                      #Replorável

UM DIA, VOCÊ OU QUEM VOCÊ AMA, PODERÁ SER CUIDADO POR NÓS SERVIDORES. Será que seremos realmente capazes de descontar nossa insatisfação?

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Caos na Saúde 1 - Servidora da Saúde desabafa nas redes sociais e desanca o sr. Prefeito




Os problemas na saúde vêm se avolumando e acumulando. Em diversas ocasiões nós temos denunciados várias faltas e descasos com os servidores e usuários. Uma das principais foram a extinção de programas que vinham sendo reconhecidos pela população e elogiado por outros secretários de saúde pelo Brasil afora. Depois, mal ajambradas, vêm sendo reimplantadas parcialmente com outros nomes, sem a mesma qualidade.

Mas tudo sempre pode ficar pior. E ficou. O prefeito, de forma midiática, em busca de holofotes, visita unidades de saúde, talvez como forma de tirar o seu secretário do marasmo, para ganhar alguns pontos com os desvalidos que sofrem por falta total e absoluta de respeito.

Será que entra naqueles corredores e salas para constatar que falta tudo? Faltam equipamentos, mesas e cadeiras em condições de uso adequado, insumos, materiais, medicamentos.

Não, prefere utilizar de toda a mídia e redes sociais para atribuir a culpa da má gestão (ou nenhuma gestão) aos servidores. Esgotados, esses servidores estão partindo para o revide, esclarecendo o que a propaganda oficial não mostra e o que o secretário não vê.

Reproduzimos com pequenas correções, mas buscando expor o texto como foi postado nas redes sociais e está sendo divulgado, para desespero da administração Marquinhos Trad e seu secretário Marcelo Vilela. Até quando o marketing oficial vai sustentar premiações baseadas em dados lidos nos gabinetes confortáveis e acondicionados, e bem distantes da realidade das unidades de saúde de Campo Grande?

Desabafo de uma SERVIDORA INDIGNADA

Venho anonimamente, através das redes sociais, demonstrar indignação contra a postura do sr. Prefeito de Campo Grande nas últimas semanas. O mesmo vem colocando a responsabilidade do problema da saúde nos próprios servidores e tentando convencer a população disso.

A incompetência de seu secretário de saúde e adjunta é abafada com pomposas inaugurações de "Clínicas da Família", frente a falta de equipamentos, materiais e proteção para o servidor. Que dirá a questão salarial.

O mesmo [prefeito] faz "ameaças veladas" na mídia, dizendo que “você é servidor porque quer”, como se fosse uma sina aceitar a visão do próprio prefeito que o servidor deve ser mal remunerado e mal tratado porque tem outros na "fila para entrar" conforme ele mesmo diz.

Um hipócrita.  Pois o mesmo é responsável por melhores salários e condições de trabalho. Se temos baixos salários e condições ruins de trabalho a culpa é dele. Nenhum servidor desconta nada na população.  Existe ouvidoria e sindicância administrativa para estes casos. As reclamações da população são por conta dos maus resultados apresentados por sua gestão. Tijolo e tinta não representam efetividade no atendimento.

Para economizar em convocação de funcionários, por exemplo, vem atribuindo mais e mais funções para os mesmos, sobrecarregando cada vez mais o já surrado servidor da saúde. Médicos estão ficando sem limites de atendimento, desumana a quantidade de pacientes que atendem, pois não colocam mais médicos; dentistas estão tendo que fazer serviço de enfermeiro, classificando risco de pacientes; enfermeiros, então nem se fala, são um dos que mais atribuições extras estão tendo, sendo o coringa, o faz tudo; administrativos? Jesus... dos piores salários, o pior, a linha de frente do posto escutando tudo.

Mais respeito para com os servidores, sr. Prefeito. Não estamos descontando nada na população.  Reclamamos mesmo é do sr. e da sua conduta. Respeito aos servidores.

Dias atrás apareceu no Facebook  [o prefeito] fazendo populismo em cima de uma paciente que estava há 1h aguardando atendimento. Caiu de pau nos servidores. Talvez ele não saiba que naquela unidade de saúde se utilizam protocolos internacionais de Classificação de Risco, e a paciente foi classificada como Risco Azul (Poderia aguardar até 240 minutos). Não era urgente. Estava dentro do tempo. Para que outros pacientes urgentes tivessem prioridade.

Agora irá dizer que seguir os protocolos internacionais, implementados por ele próprio naquela unidade, seria "moleza" do servidor? O sr. está louco? Respeite o servidor. Pior é o secretário de saúde fazer parte da cena e permitindo o show sem intervir, pois o mesmo poderia ter explicado ao prefeito como é a Classificação de pacientes se assim o quisesse.

Assim como o sr. diz que tem muitos servidores que querem assumir (porque realmente o município precisa), termino dizendo a você que também temos muitos candidatos querendo assumir a prefeitura, então faça bem o seu serviço com respeito a todos, pois o sr. é funcionário também.


segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

CALCE TÊNIS


            Estava lendo a interessante crônica “Alexandria – A Queda”, do Francisco Marshal, no suplemento DOC do jornal Zero Hora de Porto Alegre, a qual fala de um livro chamado “A Biblioteca Desaparecida”, do Alexandre Cânfora.  Pensando sobre tudo isso: Alexandria, bibliotecas, livros, importância da leitura como fonte de desenvolvimento… Resolvi escrever um texto.
            Como eu procedo para escrever um texto? Vou juntando e largando num papel, ou melhor, no computador, palavras toscas, rústicas, soltas, que parecem sem sentido, mas são as palavras principais, essenciais. Depois que larguei todas essas palavras, formo frases e pego essas frases e junto com as palavras toscas. Para isso acontecer não posso ter interrupção; tenho que ficar concentrada. Vou formando essas frases na minha mente e vou juntando nas palavras toscas, até formar um texto.
            Até que fui interrompida:
           
            – Dona Simone o que a senhora acha de eu descongelar um peixe para o jantar de hoje?
            Não sei nem o que eu vou comer no almoço! Vou ficar preocupando-me com o jantar? – penso comigo.
            – Neguinha, estava pensando em ligar para X e Y para sairmos amanhã a noite e tomarmos uma cervejinha. O que acha?
            O que eu acho? O que eu acho é que não posso simplesmente ficar sem responder para pessoas tão queridas! Não consigo ficar concentrada num texto e deixando pessoas ao meu redor tentando falar comigo e eu colocando uma parede invisível entre nós. Não posso. Não consigo fazer isso! Facilmente desconcentro-me do texto e respondo às pessoas que estão a minha volta aguardando pela minha resposta, mas isso faz com que eu perca o fio da meada.
           
            Como fazer para retornar ao fio da meada? Tentei relembrar as frases que eu precisava juntar nas palavras toscas, mas as frases não vieram! Levantei e pensei: – Quem sabe se eu fumar um cigarro ou um charuto, servir um uísque e ir à sacada e olhar para o Mediterrâneo como vi fazer em um filme do Hemingway? Não dará certo porque aqui não tenho o Mediterrâneo. Não fumo. Uísque talvez. De vez em quando. Ou um vinho? Mas isso não iria fazer as frases voltarem à minha mente.
            O que mais posso fazer? Já sei, pensei comigo. Calçarei tênis! Isso! Vou calçar tênis e ir para a rua caminhar. Pensar na vida; pode ser que as frases voltem.
            Foi o que fiz. Coloquei o tênis e andei cerca de dez quarteirões. Fui indo… Indo… Fiquei relembrando de todas as palavras toscas e de todas as interrupções, mas as frases não vieram; as benditas frases que eu preciso juntar nas palavras toscas!
            Ao final dos dez quarteirões, já cansada de caminhar, abaixei minha cabeça quase encostando nos joelhos, dei uma esticada, uma alongada no corpo, retornei a posição inicial, respirei fundo uma meia dúzia de vezes… Enchia o pulmão e soltava… Fui me acalmando… Retornei para casa… Mais dez quarteirões de retorno. Lembrei-me das palavras toscas e não é que as frases foram surgindo?!? As frases foram se moldando na minha mente; foram se juntando nas palavras toscas e foi formando aquele texto inicial; exatamente aquele que eu queria! Pronto!
           
            Essa é uma tática superpoderosa para resolver alguns problemas: calce o tênis! Não está conseguindo dinheiro para pagar as contas? Calce tênis. Está com falta de concentração para estudar? Calce tênis. Tem alguma questão para resolver? Calce tênis. Alguma dúvida para esclarecer? Calce tênis. Está difícil de explicar? Calce tênis.
            Calce tênis e aproveite para olhar as árvores, escutar os pássaros, desejar um bom dia e conversar com as pessoas que encontrar em seu caminho.
            Calce o tênis e libere a endorfina e a serotonina que são analgésicos naturais produzidos com a atividade física, dão aquela sensação de bem estar, regulam as emoções, reduzem o estresse e a ansiedade, enfim trazem a tal felicidade!
            Eu calcei o tênis e resolvi meu problema!
           
            Retornando ao conjunto de palavras toscas, já estava quase chegando em casa e pensando:
            – Vou para o computador e jogo todo esse texto que está pronto na minha cabeça.
            Ao chegar em frente ao prédio onde moro, percebi que não tinha energia elétrica. O que será que aconteceu? O elevador não funciona. Como vou subir tantos andares pela escada após uma caminhada pesada como essa? 
            Vou dizer o que aconteceu: os danados de dois pombinhos apaixonados resolveram namorar nos fios de energia e deu um curto – ou seja lá o nome que for. Deu um estouro muito forte. Parece que queimou o transformador e a energia do prédio estava apenas em uma fase. E aí fiquei no térreo descansando e esperando a energia voltar ao normal.
            E o meu texto? Irá todo para as cucuias de novo? Do jeito que sou desconcentrada, ele certamente sumirá da minha memória rapidamente! Será um fracasso! Já ia entrar em pânico quando lembrei que estava com o celular e aproveitei-me do gravador de voz e salvei o tão esperado texto!


Simone Possas
(escritora gaúcha de Rio Grande-RS,
membro da Academia de Letras do Brasil/MS, ocupando a cadeira 18,
membro correspondente da Academia Riograndina de Letras,
membro da UBE/MS – União Brasileira de Escritores,
autora dos livros MOSAICO, A MULHER QUE RI e PCC,
graduada em Letras pela UCDB,
pós-graduada em Literatura,
contista da Revista Criticartes,
blog: simonepossasfontana.wordpress.com)

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

E a vida vira, revira, tresvira no Natal

Imagem: O sentido do Natal, por Lucas Silva


Natal é o consumo da depressão.
Não, não se pode parar para repensar a vida,
Nem imaginar, entronizar o nascimento daquele que veio,
Para cumprir o que estava escrito,
E reescrever das dores, o Amor!
Isso nos deprime porque nossas vidas,
Tortas, retortas, derramadas em raivas e desesperos
Nos faz refletir...
E, nem sempre o que vemos em nós nos satisfaz.
Enfrentamos o melhor, o pior
Nem sempre pensamos no Pai Maior.
Se estamos em um bom momento, aproveitamos mesquinhamente
Nossos gozos da vida.
Se nossos momentos são ruins, cobramos Dele.
Mas chega o Natal... e temos que nos encarar.
Nosso espelho (da alma) parece desfocado e sujo.
Natal é tempo de depressão,
Quando deveria ser de reflexão.
Natal é apenas um dia,
Quando deveria ser... a vida.
Se tanto nos foi dado, uma vida
- e olhe que não foi uma vida comum, dos mortais –
Por que não aproveitar essa vida e lhe a dar gratuitamente
Por um simples olhar, por uma mão estendida, um gesto qualquer?
Mas a vida, o minuto, a hora, o dia, assim não nos permite
Porque nós não permitimos. 
Tiramos um dia para nos redimir de nós mesmos e
Antes da reflexão, nos permitimos um dia de depressão.
E, assim, a vida vira, revira, tresvira no Natal.

Thango