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sexta-feira, 14 de março de 2014

Golpe ou incompetência? Arrogância, Golpe e Incompetência

Alcides Bernal deixa a Câmara após fazer defesa de seu mandato.
Foto: Geovanni Gomes/Top Midia News
Ficou evidente, assim que abertas as urnas, que o PMDB, seus aliados e uma enorme gama de partidos de aluguel que constavam da folha de pagamento da Campanha de Giroto, tentariam desestabilizar o governo Bernal. Assim havia sido feito em Dourados, com o prefeito Ari Aruzi. 

Lá como cá, os prefeitos apresentavam sérios problemas de relacionamento social, ou psicológicos. Lá como cá, caíram sem grande esforço dos opositores.



Bernal não teve competência para conter o golpe

Alcides Bernal tem uma estranha caminhada política. Um dos mais populares radialistas, acolheu sempre as reclamações de seus ouvintes, cobrando das autoridades diversas providências para estes pedidos. Também fez trabalhos assistencialistas, solicitando doações das mais diversas, de cestas básicas a cadeiras de rodas. Ganhou parcela considerável do público.


Na esteira dessa popularidade, Alcides de Jesus Peralta Bernal foi eleito vereador por Campo Grande em 2004 e reeleito em 2008. Quase nada fez, não apresentou projetos, não conseguiu conviver com seus pares naquela Casa de Leis. Como em seu programa, seu trabalho se restringiu a requerimentos e solicitações de pedidos, muitos, moções, mas quase nenhum projeto. No entanto dava publicidade aos seus atos, como se fosse o grande questionador e bravo lutador por um povo desassistido.

Em 2010 concorreu e venceu as eleições para deputado estadual, e seu modus operandi não se alterou. Pouco comparecia às sessões, nada apresentou de concreto. Discursos poucos e vazios. Mas nunca perdeu a popularidade e, em 2012 concorreu para prefeito da Capital de Mato Grosso do Sul.

Venceu as eleições na esteira de um cansaço cívico que exigia mudanças. Vinte anos de governo peemedebista na capital e com o comando do Estado, saturou. A Capital crescia e se modernizava, sim. Mas a população mais carente não podia usufruir desta modernidade porque estava doente e desassistida, e seus ônibus lotados lhes impediam de contemplar a beleza das novas avenidas. Andavam apenas pelas velhas ruas remendadas e impossíveis.

Assumindo a prefeitura de Campo Grande, com o apoio e parceria do PV, PPS, PT e PSDB, descobriu-se que, na verdade, Bernal não era popular, era apenas um populista sem a capacidade de aglutinação e projetos sociais que são o alicerce de manutenção do poder deste tipo de político. Ao prefeito eleito não faltava apenas capacidade legislativa, faltava também capacidade administrativa.

Assim não foi difícil perpetuar o Golpe que fora armado até antes do término do segundo turno das eleições. Afinal a equipe de governo acompanhava, em sua maioria, o perfil do líder: não tinham preparo para a função a qual foram indicados, eram apenas serviçais com os quais o prefeito poderia imputar, aos berros, sua própria inépcia. 

Entendeu de forma errada a separação de poderes e, em momento algum, buscou abrir entendimento com os vereadores de oposição e, os de sua base, ignorava ou desqualificava. Quando precisou dos nove vereadores que lhe eram fiéis, percebeu que ao invéz de somar aliados, perdera três deles. 

O Golpe

Por fazerem parte do antigo governo, ou por terem ligação com ele, ou por terem se prestado ao aluguel, ou pela própria arrogância de  Bernal, era impossível não supor que tudo seria feito para que seu governo fosse desmerecido. Afinal, de sob o tapete que se manteve imóvel por 20 anos, havia muita coisa para ser retirada. 

Comprovados, os erros e desvios passados se refletiriam no futuro. Afinal, a população insatisfeita que alijou o antigo grupo do poder ainda era aquela mesma massa de eleitores. 
Retiram do prefeito o controle de suas próprias contas, dinheiro que fartava a Nelson Trad Filho. Questionaram na sua administração as licitações duvidosas acertadas no fechar das cortinas da gestão anterior. Atribuiram a epidemia de dengue causada pelo descaso, ao mosquito. A CPI da saúde, onde os investigados estavam na mira da polícia e do ministério público, não deu em nada. Apontou como única culpada a população que teimava em adoecer.

Demonstraram uma incrível capacidade de esmiuçar preço de gás, mas não conseguiram encontrar um único centavo desviado da Saúde. Analisaram cada documento das empresas contratadas na gestão Bernal, mas não conseguiram enxergar erros nas licitações milionárias de trinta anos de prestação de serviços de limpeza. Descobriram que uma das empresas era recente e não teria capacidade operacional para distribuir alimentos em Ceinfs, mas não procuraram explicar porque uma empresa de apenas um escritório trabalhou com alimentos, merendas e produtos de escritório durante oito anos da gestão anterior.

Inocente arrogância

Mas a soma desses fatores foi a responsável pela mudança. Bernal foi de uma incrível inocência porque estava cego pela sua arrogância. Fez nomeações isoladas, não cooptou partidos. Thais Helena e Semy Ferraz não eram o PT no governo, como também não eram José Chadid e Leila Machado (PSDB).

Buscou socorro no suplente de senador e empresário Pedro Chaves Filho, mas o queria como feitor ou capitão do mato a buscar, no laço, aqueles que Bernal pretendia. O pouco que cedeu, o fez tardiamente e também de forma errada. Contemplar Dr. Jamal, Paulo Siufi e Edson Shimabukuru sem permitir que seus indicados tivessem autonomia administrativa, foi outro tiro que saiu pela culatra. Sequer a vereadora Juliana Zorzo, do mesmo PSC de Pedro Chaves, votou contra a cassação.

Epílogo

Sua defesa na Câmara, durante o histórico julgamento de 12 de maio de 2014, foi um discurso de palanque para um eleitorado desacreditado. Atacou a imprensa, os vereadores, disse perseguido e injustiçado e procurou fazer acreditar que, a partir daquele momento, governaria em consonância com o legislativo, como se num passe de mágica tivesse perdido seu perfil centralizador. Era tarde. Ele já havia se distanciado por quatorze meses, tempo em que ignorou a força do poder legislativo.

Foi um golpe, sim. Mas Bernal conhecia a força de seus adversários. Seu erro foi ter feito um exército de um general, ele próprio,  ladeado apenas por soldados que defendiam apenas seu soldo.

A Sessão de Julgamento começou por volta das 14h20 do dia 12 de março, com a leitura da denúncia feita pelos empresários Luiz Pedro Guimarães e Raimundo Nonato. O Decreto de Cassação do prefeito foi publicado no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) na quinta-feira (13), triste data histórica.


Gilmar Olarte começa seu trabalho com total apoio político


Gilmar Olarte. Foto: Geovanni Gomes/Top Midia News
Acompanhado de representantes dos diversos partidos políticos que compõem a Câmara Municipal de Campo Grande, Gilmar Olarte (PP) assumiu em cerimônia simbólica, seu gabinete de trabalho no Paço Municipal, como 62º prefeito de Campo Grande. Fez questão de enfatizar que fará um governo com ampla participação dos partidos que fizeram oposição à gestão Bernal.

Seu secretariado está definido, com nomes indicados pelos antigos gestores que passaram a comandar um governo com o perfil de seu administrador: fraco e colocando unicamente nas mãos de Deus as aventuras e desventuras dos caminhos que trilhará.

Por haver sido alijado da administração durante a gestão anterior, Olarte pretende reunir informações do andamento de contratos e serviços e, só após este período e ouvindo os vereadores, definir o novo secretariado.

Da cerimônia de posse, oponto negativo foi a ausência de cinco dos vereadores que formavam a base da gestão anterior, Zeca do PT, Ayrton Araújo (PT), Alex do PT, Cazuza (PP) e Luiza Ribeiro (PPS), que tiveram uma postura radical e não participaram do exercício democrático da posse, reafirmando a postura antidemocrática que marcou a gestão anterior.



segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Sentimentos

O texto abaixo foi escrito por Carla Andrade, tia de uma das Aspirantes selecionadas. Vale a leitura !!!

Não concordo "literalmente", mas tenho que dar o devido valor

De todas as transformações que o nosso país enfrenta, não tenho dúvida que a pior delas é inversão de valores.

Não estou falando dos atores, mas da plateia.

Quem determina o sucesso de um espetáculo é o público. Por melhor que sejam os atores e o enredo, se o público não aplaudir, a turnê acaba.

Nós somos a sociedade, nós somos a plateia, nós dizemos qual o espetáculo deve acabar e qual precisa continuar.

Se nós estamos aplaudindo coisas erradas, se damos ibope a pessoas erradas, de que estamos reclamando afinal?

Somos nós que continuamos consumindo notícias de bandidos presos e condenados.
Somos nós que consumimos notícias de arruaceiros que ganham mesada para depredar o nosso patrimônio.

Somos nós que damos trela para beijaços, toplessaços, marcha de vadiaças, dos maconheiraços, dos super-heróis que batem ponto em “manifestações” (e que gostam de cozinhar-se dentro de uma fantasia num sol de 45 graus), e todos os tipos de histéricos performáticos que querem seus 15 minutos de fama.

Quando fazemos isso, estamos dando-lhes valores que não têm. Estamos dando-lhes atenção. Estamos dedicando-lhes o nosso precioso tempo.

Passou da hora de dar um basta nisso!

Por que os nossos jornais estão recheados de funkeiros ao invés de medalhistas olímpicos do conhecimento?

Por que vende-se mais jornal com notícia de um funkeiro que largou a escola por já estar milionário, do que de um aluno brilhante que supera até seus professores?

Por que sabemos os nomes dos BBBs e não sabemos os nomes dos nossos cientistas que palestraram no TED?

Por que muitos não sabem nem o que é o TED? Ou Campus Party?

Por que um evento histórico para o Brasil como o ingresso da primeira turma feminina da Escola Naval não é noticiado?

Por que um monte de alienadas com peitos de fora, merecem mais as manchetes do que as brilhantes alunas, que conquistaram as primeiras 12 vagas, da mais antiga instituição de ensino superior do Brasil?

Por que nós continuamos aplaudindo a barbárie, se ainda temos valores?

O país não mudará se nós não mudarmos o foco!

Os políticos não mudarão se nós não refletirmos a sociedade que queremos!

Já passou da hora de nos posicionarmos!

Ostracismo a quem não merece a nossa atenção e aplausos para quem faz por merecer.

Merecer! Precisamos devolver essa palavra para o nosso dicionário cotidiano.

Meu coração ao olhar essa foto hoje, se divide em vários sentimentos distintos.

Muito orgulho de ser mulher e me ver representada por essas guerreiras.

Elas não estão fazendo arruaça pleiteando igualdade. Elas conquistaram a igualdade estudando e ralando muito.

Elas tiveram que carregar na mão as suas malas pesadas no dia que entraram na Escola Naval. Não puderam puxar na rodinha não! Tiveram que carregar na mão igual aos aspirantes masculinos.

Elas foram e fizeram.

Mas ao contrário das feministas de toddynho, não estarão nas manchetes dos jornais de hoje. E isso me evoca outros sentimentos.

Sentimentos de revolta, de vergonha, e de constrangimento frente a essas mulheres, que não serão chamadas de heroínas por apresentadores de televisão. Mas estão dispostas morrer como heroínas por nosso país.

Parabéns Primeira Turma Feminina da Escola Naval de 2014. Vocês são a dúzia que vale muito mais que milhares

Carla Andrade

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Assim tropeça a humanidade - Dante Filho

Artigo do jornalista Dante Filho*

Em fevereiro do ano passado, no ato comemorativo dos 10 anos do PT no poder, militantes animadinhos espancaram uma jornalista da Folha de São Paulo, derrubando-a no chão com chutes na barriga e, aos berros e com os dedos em riste, chamaram-na de “prostituta da imprensa”.

O fato teve tratamento tímido na mídia. Repercussão quase zero. Mas ali estava configurada uma metodologia de relação das “esquerdas” com a “imprensa burguesa”. Desse jeito, passo a passo, num processo de reverberação espontânea, chegaria até os dias de hoje com o assassinato do cinegrafista da Band, Santiago Andrade.

Quem imagina que uma coisa que ocorreu no passado não tem relação com este trágico acontecimento recente não conhece a vida. A violência é um fenômeno que, quando não contido na origem, entra em fase de expansão contínua. Sem freios, não há limites. Na maioria das vezes a resposta deve ser entrópica, pela força de reação equivalente ou pela aplicação rigorosa da lei. Deixando tudo rolar – como vem acontecendo -, retroage-se ao estágio da barbárie, com homens se transformando em lobo dos homens.

O ponto de inflexão deste desdobramento histórico foram as jornadas de junho: a massa difusa saiu às ruas pacificamente e os partidos de esquerda apresentaram-se para brincar juntos. Foram rechaçados. Daí, a militância ressentida partiu para a ignorância. Foi como se dissessem: “se não podemos entrar na brincadeira, vamos melar tudo”. E partiram pro pau, contratando black blocs para a linha de frente da quebradeira.

Nesse bafafá, no mundo paralelo das redes, a imprensa tornou-se a principal inimiga a ser combatida. Abriu-se a temporada de caça aos jornalistas. A chamada grande mídia entrou na clandestinidade para poder trabalhar na cobertura das manifestações.

Uma coisa meio surrealista, mas que tinha certa lógica: a turma ninja desejava a conquista da hegemonia da informação sobre acontecimentos sociais cuja pauta teria que ser, obrigatoriamente, propriedade privada de grupos minoritários do quebra-quebra.

Muitos profissionais da imprensa entraram neste jogo, achando que defendendo “a causa” dos revoltadinhos de boutique ganhariam a simpatia dos seus algozes. Santa ingenuidade. Mesmo assim, o mundo seguiu seu curso. E a massa se afastou das ruas com medo. O PT e congêneres ganharam a parada. Arrefeceram as manifestações.

Até a semana passada a coisa vinha dando certo. A política de hostilização de jornalistas inspirada por Franklin Martins & associados ganhava espaço com a formalização da ideia de que havia no País uma “mídia golpista”. Mais: que essa imprensa havia se transformado num partido político contra um governo popular.

Por incrível que pareça, tem gente que acredita nessa maluquice. É plausível que numa democracia grupos sociais tenham direito de vender sua versão da realidade para conquistar corações e mentes. Mas a subversão de fatos, com a tentativa de mistificar a política com teorias conspiratórias, inventando inimigos imaginários apenas visando demarcar espaço eleitoral, deveria ser objeto de condenação não somente ética, mas também legal, principalmente se isso leva a atos violentos.

A lavagem cerebral a que vem sendo submetida uma boa parcela da moçada de esquerda contra conceitos de liberdade de expressão e opinião – com todos os relativismos que isso impõe – fará germinar um tipo de fascismo cujos primeiros sintomas estamos presenciando nos últimos dias.

Pelas informações disponíveis, mesmo com o trauma provocado pelo assassinato do cinegrafista Santiago Andrade, os enfurecidos remunerados não darão trégua: querem mais sangue, suor e lágrimas. Como disse um dia aquele francês, passaremos da barbárie à decadência sem nunca ter conhecido a civilização.

*jornalista e escritor (dantefilho@terra.com.br)

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Genoino arrecadou valor além do suficiente da multa do mensalão

Antes do prazo estipulado pela Justiça, a família do condenado José Genoino comemorou a arrecadação de doações acima do valor necessário para quitar a multa aplicada pela Justiça na condenação na Ação Penal 470, o processo do mensalão. Na página da internet criada para a arrecadação, uma mensagem avisa que a quantia necessária foi atingida, sem, no entanto, divulgar o valor exato. 

A campanha teve início 9 de janeiro, três dias após a Vara de Execuções Penais do Distrito Federal determinar o valor de R$ 667,5 mil (atualizados para o pagamento em 20 de janeiro). A família, em notas divulgadas, declara não reconhecer a  multa imposta pela Justiça e alega que o réu José Genoino não tem condições de arcar com o valor e não tem patrimônio que chegue a tanto. Além de doações, o site está repleto de apoios ao condenado e demonstrações de indignação.

Por haver renunciado ao mandato de deputado federal, evitando o processo de cassação, Genoíno garantiu aposentadoria no valor aproximado de R$ 20 mil mensais. Talvez mais um dos casos em que o crime compensa plenamente.

Apesar de ser doação on line, a família disse não haver contabilizado o valor das doações e esclareceu que o valor excedente será destinado ao Fundo Penitenciário Nacional. Resta ainda saber se  doadores e doação terão isenção de imposto de renda.



quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Viva a bandidagem!

Ministros Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski
durante julgamento do mensalão.
Fosse o Brasil um país sério e o senhor José Antonio Dias Toffoli, que foi reprovado por duas vezes em concurso para juiz substituto do Estado de São Paulo; foi assessor jurídico do PT na Câmara dos Deputados; advogado do PT nas campanhas à presidência de Luiz Inácio Lula da Silva (1998/2002/2006); exerceu o cargo de subchefe da área de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República durante a gestão José Dirceu, de quem foi advogado; foi condenado pela Justiça do Amapá (seu escritório Toffoli & Telesca Advogados SC) a devolver R$ 420 mil (valores de 2001); indicado pelo presidente Lula ao Supremo Tribunal Federal, escandalosamente conseguiu patrocínio de R$ 40 mil da Caixa Econômica Federal para sua festa de posse; enfim, não seria sequer assessor daquele Tribunal. Tivesse o senhor Dias Toffoli, algum apego a “caráter” teria declinado da indicação.

Enfim...

E a trajetória de tão eminente ministro, aponta para decisões que, não fosse a isenção exigida pelo cargo, poderia se supor alguma simpatia pelos que foram tão ligados ao seu passado, e seus amigos: inocentou vários dos acusados do julgamento do mensalão; foi advogado de José Dirceu e o inocentou neste mesmo julgamento; votou contra a Lei da Ficha Limpa.

A pá de cal

Agora, o ministro Dias Toffoli, de inegáveis ligações com o partido que detém a máquina pública federal, como relator das instruções das eleições, determinou que o poder de polícia na Justiça Eleitoral deve ser exercido pelo juiz, retirando assim o poder de investigação da Polícia Federal e do Ministério Público. Como deve assumir a presidência daquele Tribunal já para as eleições deste ano, com o currículo transcrito acima, o que se pode esperar?

 A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) defendeu, nesta terça-feira (14), a revisão da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que aprovou em dezembro passado, resolução que limita o poder de investigação de crimes eleitorais pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e da Polícia Federal (PF). Segundo a associação, depender de autorização de um juiz para investigar pode gerar impunidade. 

“A criminalidade eleitoral, quando praticada, é bastante complexa, podendo haver forte vinculação aos crimes de corrupção pública. Assim, torna-se necessário uma pronta ação policial com a instauração imediata de procedimento adequado e o devido acompanhamento do Poder Judiciário e do Ministério Público, sendo fundamental a estrita observância dos princípios do Estado Democrático de Direito e da dignidade da pessoa humana”, diz a associação.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao tribunal a alteração da resolução. O presidente do TSE, Marco Aurélio, também defendeu a revisão da decisão. O ministro foi o único a votar contra a mudança nas regras para investigação de crimes eleitorais durante a sessão plenária que decidiu a questão.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

2013 sem secretariado e projetos, mas com terrorismo político

Vereador Mario Cesar (PMDB) e prefeito Alcides Bernal (PP)
A prefeitura de Campo Grande apresentou durante todo o período de 2013 apenas 5 projetos, contra 33 apresentados em 2012, último ano da gestão de Nelson Trad Filho (PMDB) a frente do governo da Capital. Dados do Sistema de Gestão de Convênios (Sisconv) comprovam que perderemos recursos para as áreas de infraestrutura, educação, cultura, saúde etc. A gestão de Alcides Bernal (PP) perdeu em número de projetos para diversas outras cidades do estado, como Jaraguari e Bataguassu.

Segundo o vereador Edil Albuquerque (PMDB), que foi vice-prefeito e secretário da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Turismo e do Agronegócio (Sedesc) na gestão Nelsinho Trad, os dados são no mínimo preocupantes, pois a prefeitura não arrecada o suficiente para investir nas obras necessárias e que não pode perder as verbas destinadas pelo governo federal. Para obter estas verbas é necessário que projetos sejam apresentados e aprovados, com tempo para que sejam incluídos nos orçamentos da União.

Isso comprova a falta de competência administrativa de Bernal e a incapacidade de grande parte de seu secretariado, que parece ter sido escolhida entre aqueles que não podem, por falta de conhecimento e capacidade de trabalho, ofuscar o chefe, e aqueles com paciência suficiente para suportar seus arroubos. A falta de projetos parece não ter outro motivo que não esse.

Os trabalhos divulgados pelas redes sociais, em especial a página pessoal de Alcides Bernal no Facebook, são paliativos e prosseguimento de obras de projetos anteriores. Que os trabalhos são melhor executados pelas empreiteiras nesta atual gestão, não resta dúvida. Parece que se rompeu um ciclo de fazer mal feito para remendar depois, onerando os cofres públicos e desviando recursos de outras e novas obras.

Terrorismo

Os constantes ataques terroristas que partem da Câmara Municipal, comandados pelo seu presidente, Mario Cesar (PMDB), obedecendo ordens do mandatário do seu partido, atrapalham e afunilam as ações do executivo, além de demandar muito do tempo que poderia ser utilizado para que os projetos necessários fossem elaborados, mas não explicam o insignificante volume de projetos para uma Capital. E Campo Grande terá que sobreviver a isso.

Com a chegada do empresário e suplente de senador, Pedro Chaves, para reforçar e dar qualidade à equipe de governo, aguarda-se para 2014 novas mudanças nas secretarias e, mesmo que isso custe acordos políticos, os indicados para assumirem o cargo devem, antes de tudo, apresentarem um currículo que demonstre competência técnica.

Não advogando em nome de ninguém, mas é estranho que Odimar Luis Marcon, cujo currículo é recheado apenas de “assessorias” a Bernal, ocupe a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur), e não tenha sido feito um convite para o ex-vereador e ex-candidato à prefeitura, Marcelo de Moura Bluma (PV), inclusive um dos apoiadores de Bernal para o segundo turno nas eleições. Coisas da Democracia, o regime da ditadura da maioria, mas ainda o nosso regime, que precisa ser aperfeiçoado até que se consiga algo comprovadamente melhor.

Se Bernal conscientizar-se da necessidade de coligar-se com outras forças no molde democrático de dividir encargos, se o milagre de uma mudança que o faça abandonar sintomas neuróticos permitir a convivência de forças que somem seus diferentes projetos, talvez consigamos chegar em 2016 com uma cidade possível de administração e atendendo ao anseio dos eleitores que, pelo voto, determinaram mudanças nos rumos políticos. Se não, os ataques terroristas prosseguirão até que se impeça totalmente a governabilidade ou até que coloque na cadeira do executivo o inexpressivo Gilmar Olarte, já cooptado pelas forças do governador André Puccinelli (PMDB). Então tudo retornará ao ponto de onde deveria ter saído.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Estranho caso Genoino e a merreca de doações

O petista tem que convencer seu eleitorado e amigos que suas intenções eram boas e é chegado o momento de retribuírem os favores recedidos do partido nestes anos de poder, quando engordaram as burras pessoais.

O site foi criado por amigos e familiares de José Genoino que recebe doações de amigos, correligionários e simpatizantes da causa, arrecadou até o sábado (11), R$ 89.495,55, aquém dos necessários R$ 667,5 mil necessários para pagar a multa imposta ao ex-deputado por sua participação no esquema do mensalão.

O site Parceiros da Família Genoino tem até o dia 20 de janeiro para arrecadar a quantia e afirma em mensagem, que Genoino não tem patrimônio para arcar com tal despesa e reforça sua inocência atribuindo sua condenação ao linchamento midiático a que teria sido submetido permitindo que a Justiça o condenasse sem provas.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, convocou seus militantes adestrados a contribuírem com doações e fez divulgar em nota no site oficial do Partido dos Trabalhadores que a sentença dada ao ex-presidente da legenda é “indevida e desproporcional”.

Genoino foi condenado a 6 anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa e formação de quadrilha, e mesmo tendo que cumprir pena em regime fechado vem se valendo de um suposto problema cardíaco tentando conseguir que a prisão seja domiciliar, deverá pagar, ainda, a multa de R$ 667,5 mil ou o débito será inscrito no cadastro da Dívida Ativa da União, de acordo com a decisão da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, e a União passa a cobrar a dívida judicialmente. 

Seria talvez mais justo apelar para os beneficiados com o esquema do mensalão, para os quais a quantia da multa seria irrisória em face do que lucraram de forma ilegal, e mesmo condenados não deverão ressarcir o erário a totalidade do desvio.

Estranho caso

A militância mais atuante do PT credita ao ex-deputado condenado que o “erro” cometido está amparado na teoria do bem maior, que seria a luta iniciada nos anos sessenta do século passado por um estado mais justo. Nesta ótica, o partido teria usado dos meios “usuais” para conquistar e manter o poder e, dessa forma, desenvolver ações para a melhoria social. O caixa dois passaria a ser um pecado perdoável.

No entanto, é dito popular que de boas intenções o inferno e as prisões estão lotadas. Finda ai a defesa do indefensável. Genoino não é pior dos bandidos, nem o melhor, mas é bandido. Talvez mais um inocente útil no rol de idealistas usados de maneira torpe pelos ex-presidente Lula e ex-ministro e ex-deputado Zé Dirceu, que conseguiram montar e mostrar uma face de cordeiros que lhes possibilitassem assumir o poder, e contaram com a boa vontade e desprendimento dessa militância idealista.

Genoino, claramente sabe que errou, mas não vai admitir publicamente, mesmo porque a arrogância de alguns membros de sua família, não permitiria. Triste para quem acreditou no partido e lutou por ele e seus projetos de mudança social. Triste mas não justifica que Robin Wood saia das páginas de um romance para roubar dos ricos e distribuir aos pobres. O PT, através do bem urdido esquema do mensalão, galgou o poder, e nada fez que não rasgar seus ideais escritos, porque entronizados estava apenas dentro de alguns.



Violência Contra a Mulher e suas Faces

por Karina Vilas Boas


Nos últimos tempos, com certeza que a velocidade da informação colabora e muito, incluindo as redes sociais, aumentou-se a publicidade em cima de casos absurdos de espancamento e assassinato contra as mulheres e o pior que cometidos por seus próprios companheiros, este post é mais um desabafo do que uma constatação diante dos fatos que tanto nos indignam.
Ao longo da história, os números e índices estão de prova, a violência contra mulher tem sido uma constante em nosso país e com a conquista da independência feminina as denúncias aumentaram e com isso ficamos sabendo cada vez mais da realidade dos casais brasileiros, que muitas vezes se casam, vão morar juntos, estabelecem um relacionamento, embasados no “para sempre”, no amor e de repente toda esta conjuntura se transforma em ódio e violência.
Não podemos esquecer que a violência possui suas faces que vão desde a psicológica, a moral, a física, portanto muitas de nós mulheres sofremos no nosso dia a dia algum tipo de violência e não nos damos conta do que está acontecendo ao nosso redor, até que um dia as coisas pioram e aconteça o que aconteceu com os três casos recentes que chocaram a sociedade sul-mato-grossense, Laida Andréia Samulha , morta a pedradas por seu ex-companheiro,  a médica Maria José de Pauli, assassinada a  golpes de barra de ferro pelo atua companheiro, ao descobrir uma traição e terminar a relação ou a jovem, de apenas 19 anos,  Giovanna Nantes, que foi espancada e teve seu rosto desconfigurado, pelo que tudo indica, por seu próprio namorado.
Quantas de nós, muitas vezes, não insistimos em relações infundadas, baseadas em traições, contradições e sentimentos que passam longe do amor, do respeito ou de qualquer coisa saudável para a construção de uma vida a dois? Momento de reflexão, pois cometemos este erro cruel e nos esquecemos, por medo, por falta de amor próprio, por acreditar que sem o outro não dá para seguir em frente, de dar um basta, não gritamos, não denunciamos e sofremos caladas, assistindo a sociedade machista, preconceituosa e hipócrita vencer mais uma batalha contra a igualdade de direitos e a luta por uma sociedade mais justa.
Além disso, temos um poder público omisso que não investe nas Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher 24 horas, que demora para liberar uma medida protetiva, que a todo momento quer dar um jeito de distorcer a Lei Maria da Penha, que é clara e objetiva não só em relação a violência física, mas como a violência psicológica e assim por diante…
Se há o que fazer precisamos que seja feito rapidamente, pois os homens que cometem a violência não estão mais soltos nas ruas, como pensávamos antigamente, eles estão dentro dos lares, cumprindo papel de pais, de companheiros e colocando em prática a pior face do machismo, a violência e a exigência da submissão.
“Não acredito que existam qualidades, valores, modos de vida especificamente femininos: seria admitir a existência de uma natureza feminina, quer dizer, aderir a um mito inventado pelos homens para prender as mulheres na sua condição de oprimidas. Não se trata para a mulher de se afirmar como mulher, mas de tornarem-se seres humanos na sua integridade” Simone de Beauvoir

outraface.net


Governo de MS desampara mulheres vítimas de violência

A partir de 2007 a Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso do Sul concentrou no período noturno e finais de semana , nas DEPACs os atendimentos as mulheres vitimas de violência, reduziu o horário de atendimento da Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher (DEAM) e fechou a unidade do Bairro Moreninhas. A vereadora Luiza Ribeiro (PPS) alerta que ações deste tipo desrespeitam a Lei Maria da Penha. “A atenção à vitima de violência doméstica tem suas especificidades e medidas como estas deixam como frutos vidas que não voltam mais”, comentou.

Na semana passada a vereadora enviou um oficio à governadora em exercício, Simone Tebet, solicitando audiência para entrega do abaixo-assinado que reivindica a ampliação para 24 horas do atendimento na DEAM, mas até o momento não obteve resposta.

Foto: Midiamax
Durante a passeata realizada no domingo (12), idealizada por amigos e familiares de Dayane Silvestre Uliana, assassinada pelo ex-marido no dia 4 de janeiro, os manifestantes reivindicaram, também, plantão 24 horas da DEAM e alertavam para penas mais duras aos agressores. “A violência não tem dia nem hora para acontece e as mulheres precisam de acolhimento adequado e rápido no momento que necessitam, ou seja, na hora que a agressão ocorre”, comentou Luiza Ribeiro, que participou do ato.

Violência em MS

Segundo o relatório Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso Nacional que investigou a violência praticada contra as mulheres no Brasil, Mato Grosso do Sul é o quinto estado no ranking da violência contra a mulher. A média de mortes nesses casos específicos é de 6,1 para cada 100 mil mulheres no Estado, somente no mês de janeiro, 170 mulheres foram vitimas de violência pelos companheiros na capital. “O poder público não pode mais silenciar diante das tragédias diárias na nossa cidade. Temos 10 mil pessoas apoiando a solicitação no abaixo-assinado que queremos entregar e diversas entidades que lidam diariamente com as mulheres vítimas de violência estão unidas no coro pela DEAM atendendo nas 24 horas”, finalizou a vereadora.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Bancada religiosa: o Brasil tem seu Talibã

Fundamentalismo dos outros é uma insânia, mas o desrespeito à laicidade do Estado brasileiro é a forma hipócrita com que os políticos travestidos de pseudo religiosos buscam manter seus currais eleitorais de ternas vaquinhas de presépio ou de mansos cordeiros do Senhor.

Conforme noticiado pelo portal iG, as bancadas evangélicas da Câmara e Senado se articulam para barrar as mudanças no Código Penal, que tratam de aborto, drogas e criminalização da homofobia. Em dezembro de 2013 os líderes, que se sustentam mais por haverem decorado partes da bíblia e menos por condições mínimas de exercerem bem o mandato parlamentar, haviam conseguido conter a tramitação do PLC 122, anexando-o ao Código Penal. Agora pretendem que a criminalização da homofobia seja, também, retirada da reforma.

Conforme matéria do iG

O Projeto de Lei do Senado 236/2012 foi aprovado em comissão especial em dezembro e deve seguir e ser votado na Comissão de Constituição e Justiça. Em seu relatório, o senador Pedro Taques (PDT-MT), ao atender pedidos dos religiosos, retirou a permissão de aborto nas 12 primeiras semanas de gravidez. Porém, os líderes da bancada religiosa disseram que, como o texto ainda não foi a plenário, qualquer deputado pode alterá-lo.

Privilégios - A estratégia estabelecida pelos parlamentares da bancada evangélica é não deixar o texto da reforma do Código Penal, que data de 1940, avançar. Eles argumentam que a aprovação do projeto vai abrir brecha para a “legitimação da pedofilia”, assegurar “privilégios aos homossexuais”, legalização do aborto e a descriminalização do consumo de “determinadas drogas”.

O senador Magno Malta (PR-ES), que também faz parte da Frente em Favor da Família Brasileira, declarou que eles desejam que tudo “fique como está”, pois, na opinião do senador, a mudança contém uma série de “atentados contra a família”.


Senador, eu tenho família, meus amigos têm família, algumas dessas famílias são iniciadas com dois seres do sexo masculino ou do sexo feminino, e não nos sentimos ameaçados pela atualização necessária da Lei. Privilégio aos homossexuais, não. O entendimento tardio que o código deve proteger o ser humano, sem discriminações, isso sim. Legitimação da pedofilia? Onde? Legalização do aborto, sim, acabando com a hipocrisia das clínicas conhecidas por todos que provocam o aborto a alto custo e outras, de menor custo, que colocam em risco a vida das grávidas que pelos mais diversos motivos as procuram.

Retornando ao iG

Pontos polêmicos - Elaborado em 2012 por uma comissão especial de juristas, o texto apresentado e que segue em debate no Senado inclui uma série de temas que ainda são tabu na sociedade brasileira. Destacamos aqui aqueles que tem gerado o acirramento de ânimos entre as bancadas conservadoras e progressistas no Congresso Nacional.

Aborto: o texto original permite que a gestante interrompa por vontade própria a gravidez até a 12ª semana de gravidez. Porém, em seu relatório, o senador Pedro Taques (PDT-MT) retirou este ponto.

Porte de drogas: prevê a descriminalização da pessoa portadora de substância ilegal, porém, continua proibido o consumo em locais públicos.

Prostituição: legaliza as casas de prostituição e estabelece pena de nove anos em regime fechado para o dono da casa/ prostíbulo que obrigar uma pessoa a se prostituir.