O presidente da Associação das Vítimas de Erros Médico
(Avems), Valdemar Moraes de
Souza, a convite da vereadora Professora Rose, compareceu na Câmara Municipal
de Campo Grande para, ocupando a tribuna, discorrer sobre Erros Médicos e
solicitar total empenho dos parlamentares na Comissão Parlamentar de Inquérito
que investiga desvios de conduta na Saúde Pública da Capital.
Ele mesmo,
quando perdeu um irmão por erro médico no Hospital Universitário, conseguiu
através do desembargador Nildo de Carvalho, fundar a entidade que dá apoio às
vítimas de erros médicos, especialmente aos mais carentes.
“Houve
necessidade de ter uma entidade transparente para que a gente possa mostrar ao
Ministério Público, à Comissão de Direitos Humanos da OAB e ao próprio CRM tudo
o que a gente possa levar sobre impunidade os erros médicos. [...] O erro
médico abala toda a estrutura da família, seja psicológica ou materialmente [...]
Nós temos vários casos em parceria (para divulgação) com a Top Mídia, quero
agradecer ao Marcos que fez essa parceria, cuja esposa também foi vítima de
erro médico, quando quase perdeu o braço por uma aplicação errada da
quimioterapia”, enfatizou Valdemar.
Procurando não generalizar, considera falta de vergonha o
corporativismo quando este acoberta erros de médicos sem capacidade e ressalta
que a Avems abraça a causa e leva os casos suspeitos ao conhecimento das
autoridades. “A primeira providência é analisar o caso para verificar se houve
erro médico, porque, por mais que me doa ter perdido um irmão por erro médico,
eu não estou aqui para falar por vingança. A entidade tem primado pela
transparência, que tem levado ao conhecimento das promotorias estadual e
federal, o nosso trabalho eu mostro na imprensa, eu não tenho que esconder
nada”, esclarece.
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Vereadora Rose e Valdemar Moraes |
A Associação solicitou ao gabinete da vereadora Rose Modesto
(PSDB), a oportunidade de ocupar a tribuna, para pedir que a Câmara atue mais
efetivamente pela melhoria da saúde e que os vereadores se engajem na questão
do erro médico.
Valdemar reclama de uma clara falta de respeito para com o
trabalho da Associação e menciona o fato de, nas diversas ocasiões em que sai
durante a madrugada visitando postos de saúde com o intuito de verificar as
condições de atendimento oferecido à população, ser barrado pelos atendentes
que, inclusive solicitam dos seguranças a retirada do presidente da Avems,
alcunhado de encrenqueiro. “Eu acredito que é meu direito fiscalizar, porque o
benefício é para a população de Mato Grosso do Sul,” diz.
Existe um Projeto de Lei, o de nº 437/2007 ainda não
aprovado que atualiza as penas e sanções aos profissionais médicos que cometam
erros. Valdemar considera esta demora de 6 anos para apreciação do projeto, uma
vergonha, e lembra que as maiores prejudicadas são as pessoas mais humildes,
sem acesso ao atendimento particular, muito mais ágil e, também, com menos
conhecimento dos caminhos judiciais que lhes garantam direitos. Prova dessas
agruras ficou claramente retratado em nível nacional com a divulgação dos
desmandos nos hospitais do Câncer e Universitário.
Um
dos maiores e mais sérios problemas enfrentados pela Associação, é o
acompanhamento dos casos que apontam para erros médicos. A verificação dos
prontuários é negada, alguns delegados se negam a fazer o boletim de ocorrência
e os legistas dificultam o acompanhamento dos laudos. Valdemar já teve vários
embates, inclusive do com o Dr. José Carlos Dorsa, que ainda diretor do
Hospital Universitário o denunciou ao Ministério Público Federal (MPF) alegando
que ele se fazia passar por funcionário daquela instituição. “Em nenhum momento
eu me apresentei dessa forma, até porque o promotor público federal, Dr. Felipe
[procurador regional dos Direitos do Cidadão
(PRDC), Felipe Fritz
Braga], me conhece, a Polícia Federal conhece a mim e ao trabalho que
faço. Eu não tenho nada a esconder ou omitir, eu represento a Associação das
Vítimas de Erros Médicos do estado de Mato Grosso do Sul,” diz Valdemar.
A Associação
tem mais de setecentos caos de erros médicos e, durante seu período de
funcionamento já recebeu mais de cinco mil casos para análise de pessoas que
buscam justiça, por isso o empenho de seu presidente em que a CPI da Saúde da
Câmara de Vereadores seja transparente, sem manipulação e que os seus membros
estejam imbuídos do objetivo único de melhorar a qualidade da saúde pública.
A
intenção primeira é que as pessoas deixem de temer o atendimento médico
gratuito e, em caso de dúvida, possam ter atendidos seus pedidos de
investigação e autópsia atendido pelas autoridades policiais sem a necessidade
de levar o caso ao Ministério Público. Hoje, além do MP contam apenas com a
imprensa, que atua de forma dinâmica e faz acordar as autoridades, conforme
demonstrou o Jornal Liberdade na recente série de reportagens realizadas pelo
jornalista Dirceu Martins, retratando erros médicos e desvios na saúde pública.
“Na gestão passada eu não vi movimento algum na questão da
saúde. [...] O que foi descoberto pela Polícia Federal é uma vergonha que nós
não podemos aceitar. Os vereadores de Campo Grande que representam a sociedade,
e foram eleitos com o voto do povo, têm que fazer justiça, doe a quem doer. Muitas
vezes as pessoas consideram que devem fiscalizar o atual prefeito, mas como
ficam os erros cometidos pelo prefeito anterior? Então nós temos que fiscalizar
também como o dinheiro da secretaria da saúde foi aplicado anteriormente. Qual
o seu destino?”, questiona Valdemar.
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vereadora Luiza Ribeiro (MD) |
"Campo Grande precisa passar a limpo a saúde pública, fazer do erro médico uma preocupação do legislativo."
Projeto de Lei modifica penas por erro médico
O Senado aprecia o projeto de lei nº 437/2007, da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE), que define punições para casos de erro médico. O relator é o senador Waldemir Moka (PMDB-MS). A propostas modifica o padrão atual de sanções previstas no artigo 22 da Lei nº 3.268/1957, que trata sobre os conselhos de Medicina.
O projeto cria penas intermediárias, entre as atuais de suspensão
temporária da atividade profissional e a de cassação definitiva do diploma, que
permitem que o médico punido nos casos de imperícia possa retomar a atividade
após treinamento. O Conselho Federal de Medicina se manifesta contrariamente a
essa possibilidade.
As mudanças se justificam pois as penas estão desatualizadas e
apresentam gradação imperfeita. “Em decorrência, a ausência de penas
intermediárias favorece a impunidade nos casos em que a punição maior seria
desproporcional à falta”, argumenta Moka, relator do projeto no Senado.
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