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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Associação oferece tratamento odontológico à população

Tratamento de canal, ortodôntico, implante e extração de dentes são alguns dos serviços oferecidos pela ABO-MS (Associação Brasileira de Odontologia - Seção Mato Grosso do Sul) à população. A Associação é uma entidade sem fins lucrativos.

Com 71 anos de tradição em Mato Grosso do Sul, a ABO-MS oferece tratamento contínuo dos pacientes, que serão atendidos por experientes Cirurgiões-Dentistas, que atualmente fazem cursos de especialização na entidade. Neste mês de julho a ABO-MS realizará triagens. Os interessados podem entrar em contato com a Associação pelos telefone: 3383-3842.

A ABO-MS está localizada na Rua da Liberdade, 836, Bairro Monte Líbano.

Confira os horários de triagens no mês de julho:
Implante - 11 e 12/07
Das 8h às 12h - 14h às 18h
 
Endodontia (tratamento de canal) - 19/07
Das 8h às 9h - 14h às 15h
 
Periodontia - 25 e 26/07
Das 8h às 12h - 14h às 18h
 
Cirurgia Oral menor (extração) - 27/07
Das 8h às 12h - 14h às 18h
 
Ortodontia - 31/07
Das 8h às 12h - 14h às 18h


Projeto proíbe família gay em publicidade


Câmara dos Deputados discute projeto de lei que exclui famílias alternativas e obriga a publicidade adotar modelo tradicional


A família de margarina, tão criticada por muitos profissionais da publicidade, pode se tornar uma regra da propaganda brasileira. Está em análise na Câmara dos Deputados um projeto de lei (5921/2001) que regulamenta a publicidade infantil e obriga que as marcas utilizem apenas modelos tradicionais de núcleo familiar. A norma foi incluída pelo deputado federal Salvador Zimbaldi (PDT/SP) em um texto substitutivo ao projeto original, apresentado há 12 anos, pelo então deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB/PR), hoje licenciado.

De acordo com o parágrafo 4º do artigo 6º do projeto, “a família é a base da sociedade e, quando exibida na propaganda comercial, institucional ou governamental, deverá observar a unidade familiar prevista no artigo 226, §3º da Constituição Federal”. Isso significa que só poderão aparecer em propagandas famílias formadas por homem e mulher. Estariam excluídas, portanto, famílias de pais solteiros, que criam seus filhos sozinhos, ou de homossexuais, formadas por dois homens ou duas mulheres.

Deputado federal Salvador Zimbaldi (PDT/SP)
Segundo o relatório apresentado pelo deputado Zimbaldi, “hoje, os meios de comunicação, como a televisão, rádio e a internet representam cada vez mais um relevante papel na formação, não somente de conhecimento, como também moral das crianças” e, por isso, “é necessário que haja uma legislação específica que regule a publicidade dirigida ao público infantil”.

Entre outros aspectos, o projeto trata da linguagem da publicidade para crianças, os produtos que podem ou não ser anunciados, a veiculação em mídia, a proibição do uso de animações ou canções cantadas por crianças, ou personagens com vozes infantis.

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL/RJ) se manifestou, via Twitter, na tarde desta terça-feira, 9, contrário ao projeto. Para ele, o projeto quer transformar aqueles que não têm “família de margarina” em sujeitos “sem família alguma”. “Será que esta é a forma de tornar as pessoas mais tolerantes com o próximo e menos preconceituosas? Ou será que é apenas uma forma de reforçar os preconceitos e a intolerância contra crianças sem o nome do pai ou da mãe no documento? Ou criar uma consequência futura para crianças registradas com o nome de dois pais ou de duas mães, amparada em lei?”, perguntou Wyllys, na rede social.

Segundo o projeto – que deve entrar em tramitação na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), de acordo com o Câmara dos Deputados – podem ser penalizados caso não cumpram a lei tanto o anunciante, quanto as agências de publicidade e os veículos de comunicação. A punição prevê advertência, multa de R$ 5 mil a R$ 100 mil e imposição de contrapropaganda.

Crédito: Divulgação / Agência Câmara / Alexandra Martins

Dilma desvia o foco, Tucanos respondem às ruas e o país parece mudar


Enquanto a presidente Dilma Rousseff apresenta dificuldades em buscar um consenso com seus próprios ministros para direcionar os pedidos que vêm das diversas manifestações que ocorrem nas ruas do país, os Tucanos, agora com suas forças centradas na figura do senador e candidato à presidência do país em 2014, Aécio Neves, apresentam propostas concretas que atendem, em parte, aos anseios de uma administração política que permita governabilidade com menores custos e mais transparência.

Aécio apresentou proposta de reforma política com cinco pontos básicos: Mandato de cinco anos para cargos executivos sem direito à reeleição; mudança de critérios para a suplência no Senado; alteração na fórmula para a fixação de tempo de TV para as disputas eleitorais; voto distrital e cláusula de barreira.

Por outro lado, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que havia encomendado estudos para uma reestruturação de seus secretariado reduzindo o número de secretarias, resolveu antecipar o cronograma em função das manifestações.

Conforme noticiou a Folha de S. Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador José Serra afirmaram a Alckmin que, reduzindo deputados em sua equipe neste momento, ele pode capitalizar a repulsa das ruas ao universo político e dar ao governo caráter eminentemente técnico.

Além disso, os tucanos querem que o governador exiba uma reforma substanciosa antes da presidente Dilma Rousseff, que está sendo cobrada pela oposição a mudar sua equipe ministerial. A medida seria, assim, "um exemplo" a ser seguido.

Engodo bom

O que aparentemente é apenas um engodo para acalmar as ruas, na verdade é uma enorme conquista dos diversos movimentos que vem agitando o país. Vitórias incontestes da vontade popular se sobrepujando aos acordos espúrios os políticos que há muito perderam noção de realidade.

Enquanto Dilma Rousseff, engessada por um método político blindado e de difícil solução, que a mantém (e mantém qualquer que seja o governo) cativa de chantagens dos inúmeros partidos e grupos incrustados nos corredores do poder, não consegue romper esse mar de partidos prostitutos, até porque o rompimento teria consequências imediatas desastrosas e a longo prazo compensadoras, e ninguém pensa em longo prazo quando as eleições se darão dentro de dois anos e não existe projeto de governo, mas projeto de poder. 

Dilma usa de sua própria cepa e do aconselhamento de seus mais diretos ministros -- os pouco mais de seis que costuma atender em seu gabinete -- o argumento do plebiscito da reforma política, numa tentativa – agora frustrada pelos próprios parlamentares e pelo inexorável senhor Tempo – de forçar uma tomada de posição a respeito de um projeto – emendado, remendado, costurado, cerzido e já incompreensível – de reforma que se deixa esquecido e despercebido num brincar de esconde-esconde de diversas gavetas e comissões. Usa também o modus operandi petista de infiltrar, desmantelar e dirigir os movimentos através dos diversos grupos, conhecidos e desconhecidos que compõem o difuso arco-íris de nuances esquerdistas-socialistas.

Parece ser melhor o engodo bom que contempla reais conquistas, desde que o povo não se satisfaça com as migalhas porque o banquete é fausto. A política é o cerne. Queremos um Estado enxuto e eficaz, receber o justo pelo que pagamos em impostos; corruptos investigado e punidos; celeridade na justiça; transparência nas ações.

Tudo isso, para começar, porque se pretende tomar, efetivamente, o comando da Nação e, quando do exercício do voto, indicar aqueles que deverão trabalhar por nós, representando e lutando pelo que pensamos, obedecidas todas as correntes de pensamento, porque a Verdade não é única, não é privilégio de grupos, sequer existe como fim. Verdade é utópica e eterna busca.

A presidente Dilma poderia dar uma guinada histórica reduzindo drasticamente o número de ministérios e dispensando número considerável de inoperantes "cargos de confiança" -- pequenos gerente de quadrilhas. Correria o risco de inviabilizar sua reeleição ou eleição de outro candidato petista, ou não.

Por outro lado, perderia sim, o lastro desses políticos marginais, estranhas sanguessugas de todo e qualquer governo, mas arrebataria o respeito popular. Sem poder, sem dinheiro para saciar a sede de tantos eleitores quantos se deixem corromper, esta corja política afinaria sua voz e os segredos de alcova dessa bizarrice política, mesmo que jogadas aos ventos, talvez, e só talvez, tivessem menos impacto, podendo até fazer com que o feitiço virasse contra os feiticeiros. Dilma vai arriscar?

terça-feira, 9 de julho de 2013

Bernal interrompe entrevista e abre nova crise com legislativo

Vereadora Carla Stephanini (PMDB)
Numa guerra em que vale o uso de mísseis de longo alcance, o prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), que estava em Brasília, não hesitou em interromper por telefone e de forma no mínimo grosseira, entrevista da vereadora Carla Stephanini (PMDB), ao radialista Joel Silva da FM UCDB. Esta intromissão rendeu mais uma manhã de pouco trabalho e muitos ataques na sessão de terça-feira (9), da Câmara Municipal de Campo Grande.

A entrevista da vereadora versava sobre a falta de alimentos nos Ceinfs, amplamente divulgado pela imprensa e de difícil defesa por parte do executivo o fato de deixar crianças sem alimentação por desconhecer os trâmites administrativos. Bernal cancelou ou não pagou as empresas licitadas no governo anterior – não importa se justificadamente, ou não – sem que houvesse imediata substituição do serviço.

Carla Stephanini também atribuiu, indiretamente, ao prefeito o que chamou de ataques de capangas virtuais que escrevem ofensas em sua página do Facebook. “Eu não vou me curvar a capangas virtuais”, disse a vereadora e mencionou algumas das mensagens enviadas, entre as quais as que diziam que ela “só sabe atrapalhar o progresso de nossa cidade” e outra em que a chamam de “filhinha bastarda”, claramente sobre a sua relação com o governador André Puccinelli.

É fato que muitos dos vereadores, ai inclusa Carla, não têm um contato mais próximo com o eleitorado, não são afetos às formas e à maneira de expressarem seu descontentamento, até porque o contato com a população, de um modo geral, se dá em época de campanha, quando são protegidos por um séquito de cabos eleitorais e, durantes as vazias sessões da Câmara, ainda assim, apartados pelas grades que separa público e vereador.

Mais radicais em seus arroubos antidemocráticos, Otávio Trad (PTdoB) e Paulo Siufi (PMDB) declaram-se, também eles vítimas de ataques e defenderam que a Polícia Federal seja acionado impondo vigilância e censura à ação dos “fakes” nas redes sociais. Contrapondo, Cazuza (PP) aliado de Bernal, atribuiu a falta de merenda a um suposto e improvável boicote na entrega das merendas e sugeriu que os vereadores deveriam ajudar o prefeito a administrar a cidade. Função que se torna cada vez mais difícil enquanto os ânimos permanecerem acirrados e até que o prefeito altere seu perfil centralizador que impede até mesmo que seus secretários o auxiliem a contento.


Melhor foi a postura de Chiquinho Telles (PSD) que comparou a rusga entre os poderes a uma “conversa de bêbados entre o executivo e o legislativo” e que isso deve cessar. Ponto para Chiquinho Telles que tem surpreendido pela postura e trabalho desenvolvido.

O caos na Saúde de Mato Grosso do Sul: Qual o crime cometido? Apenas Corrupção?

José Tolentino*

O governador de Mato Grosso do Sul, o médico André Puccinelli, é um sujeito extremamente centralizador, não deposita confiança em ninguém, tem um reduzido grupo mais próximo que goza de delimitada autonomia e pronto, nada acontece no governo sem o seu crivo, o seu aval ou a sua determinação.
Os secretários de estado de Puccinelli são figuras quase que decorativas, sem nenhum poder de decisão.

Tomando como exemplo a pasta da comunicação, que é subordinada à Secretaria de Governo, nada ali acontece sem conhecimento e expressa aquiescência deste “habilidoso” chefe do executivo de MS. O secretário, Guilherme Zurutuza Filho, até mesmo para publicar um pequeno anúncio ou divulgar uma mídia qualquer, tem que ter a devida autorização do chefe.
E assim é que a coisa funciona em todas as esferas da administração pública estadual de Mato Grosso do Sul. Inclusive na área da saúde.

É claro, lógico e evidente, ainda mais sendo o governador formado em Medicina e já tendo exercido o cargo de secretário de estado de saúde no primeiro governo de Wilson Barbosa Martins, que nenhum passo na secretaria de saúde do atual governo era dado sem seu prévio conhecimento ou expressa determinação. Isto parece muito óbvio.

Recentemente, gravações realizadas pela Polícia Federal, com autorização da Justiça e que chegaram ao conhecimento popular através da Rede Globo, flagraram a então secretária de saúde, a médica Beatriz Figueiredo Dobashi, numa conversa com o diretor do Hospital Regional de MS, o médico Ronaldo Queiróz, onde a dupla arquitetava uma estratégia para beneficiar empresas, em detrimento dos hospitais públicos de Mato Grosso do Sul, dificultando a doação de aparelhos que seriam utilizados no combate ao câncer. Uma atitude vil, pecaminosa e criminosa, onde os dois médicos, Beatriz e Ronaldo, entre risos, organizavam a malandragem.

Na sequência, em outro flagrante da Polícia Federal, o médico Ronaldo Queiróz aparece explicando, didaticamente, para o médico José Carlos Dorsa, diretor do HU, todas as ordens que havia recebido de “Bia” (Beatriz Dobashi).

Dobashi, a “Bia”, médica e secretária de saúde, exerce o cargo desde o início do primeiro governo de Puccinelli. Antes, já havia ocupado o mesmo cargo na prefeitura de Campo Grande, quando André era prefeito. “Bia” é parceira de primeira hora do governador nas maracutaias da saúde, tudo com o objetivo de ganhar dinheiro fácil, obter vantagens espúrias e enriquecimento ilícito, mesmo que, para tanto, saúde de pessoas inocentes fosse sacrificada, como, de fato, certamente aconteceu e muita gente provavelmente faleceu por falta de um tratamento adequado.

Outras gravações da Polícia Federal, flagraram um outro médico - o tal Adalberto Siufi, então diretor do Hospital do Câncer - ameaçando o governador de “ir para o pau”, caso determinadas atitudes não fossem tomadas, com o objetivo de frear investigações que vinham sendo realizadas pelo Ministério Público Estadual e que envolviam desmandos e corrupção na saúde pública.

Uma verdadeira máfia de branco comandada por um homem que desonra a sua profissão e que não mede as consequências de seus atos e atitudes.
A sociedade precisa se organizar, precisa se unir, para expurgar este moço da vida pública e exigir punição para todos os envolvidos.

A corrupção desenfreada está claramente demonstrada.

Assim, fica um questionamento para reflexão e discussão: de quem é a culpa das mortes havidas em função da precariedade no atendimento ao câncer em Mato Grosso do Sul, em razão das mazelas praticadas pelos gestores? Esses mesmos gestores devem responder apenas pela prática de corrupção?

* Editor do Jornal da Cidade Online


segunda-feira, 8 de julho de 2013

Boate Kiss, acabou a comoção, não o perigo

Passados cinco meses do incêndio que matou 242 jovens na cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, e poucas medidas preventivas foram acionadas. Em São Paulo, conforme noticiou o jornal O Estado de S. Paulo, trinta das cinquenta e oito casas noturnas mais frequentadas, ainda não possuem alvará de funcionamento.
 No caso específico de São Paulo, os proprietários culpam a burocracia. E isto não é um fato que afete apenas à maior cidade brasileira. Em todos os municípios a falta de estrutura dos órgãos responsáveis é um dilema e um empecilho para que o mundo funcione a contento. Vendem dificuldades para cobrar facilitações.
Assim como em São Paulo, alvo da reportagem, parece que nossos administradores sofrem da “Síndrome do Não é Minha Culpa”, e inventam Comissões que podem repartir responsabilidades e culpas criando um círculo de omissões que tornam impossível responsabilizar um ou outro pelos descalabros, e nesses casos mortes, que possam ocorrer.
No entanto, a criação de Fóruns ou Conselhos é a única fórmula conhecida para que se consiga uma maneira legal para que exerça alguma fiscalização e que se possam criar mecanismos que impeçam a burocracia e permitam o funcionamento destes locais.
Campo Grande
Em Campo Grande, Projeto de Lei de autoria da Vereadora Luiza Ribeiro (PPS) que na época da incêndio da Boate Kiss propunha instituir um Fórum com o mesmo objetivo não foi admitido pela Comissão de Constituição e Justiça e foi arquivado na Câmara de Vereadores. Retomando a questão, na sexta-feira (5), Luiza Ribeiro realizou reunião na Câmara Municipal com objetivo de analisar “ações para a segurança em bares, hotéis, restaurantes, casas noturnas, shows, eventos e similares”
Nesta reunião foi discutida a constituição de um Conselho Municipal de Segurança em Eventos que reúna representantes das seguintes entidades: vereadores, Semadur, Secretaria de Saúde, Agetran, Guarda Municipal, Planurb, Corpo de Bombeiros,  Polícia Militar,  Defesa Civil, Decon, Deops, OAB, CREA, CAU, Ministério Público Estadual do Meio Ambiente e do  Consumidor, Conselhos Tutelares, Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, Sindicato dos Trabalhadores, além de representantes de empresas de segurança privada e dos empresários produtores de eventos.
“A ideia é criar consenso sobre a regulamentação das atividades de shows e outros eventos em Campo Grande, garantindo o interesse de todos os que estão envolvidos na questão, como os empresários, os consumidores, a Prefeitura Municipal, o Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Ministério Público, entre outros”, comentou a vereadora. 
Funcionará?

Resta aguardar que se consiga um espaço entre as discussões que vêm emperrando o funcionamento tanto do executivo quanto do legislativo e que, realmente, essa Comissão consiga indicar soluções que beneficiem a todos. Permita que os empresários do ramo continuem desenvolvendo as atividades e que estas sejam legais e permitam segurança ao público. Que esta não seja mais uma comissão dispersa em seus objetivos para que não se tenha que retomar a comoção, desta vez com nossos próprios filhos, parentes ou conhecidos.

Desfaçatez é causa-mortis da oncologia do Hospital Universitário

Ausência ou falta de vergonha, descaramento, estes motivos, mais do que má gestão ou falta de recursos levaram o caos ao setor de oncologia do Hospital Universitário. Responsáveis?

Pelo que se pode apurar das cinco horas de acareação e depoimentos à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Câmara Municipal de Campo Grande, realizada na tarde de quinta-feira (4) no plenário da Câmara de Vereadores de Campo Grande, entre a reitora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Célia Maria Silva Correa Oliveira, o ex-diretor do Hospital Universitário, José Carlos Dorsa e a física médica do serviço de radioterapia do HU, Regina Borges Prestes César, é que foi forçada a omissão e o jogo de responsabilidades que permitiram o desvio de recursos à clínica Neorad.

 Com a divulgação das conversas telefônicas gravadas com autorização da justiça que deixam a descoberto o esquema de desvios, o que restringe a possibilidade de comunicação direta que permita a montagem de uma defesa articulada, pode-se observar durante a acareação o nítido desconforto demonstrado pelo nervosismo da reitora e do ex-diretor, em contraposição à calma e firmeza de Regina Borges em sua explanação.

Contradições foram muitas entre uma reitora sem controle da gestão Universitária, que reputa à sua equipe os erros administrativos sem, no entanto, conseguir explicar os motivos de haver assinado autorizações de imensa responsabilidade sem que tivesse conhecimento dos acontecimentos, mesmo que constantemente divulgados pela mídia, informados por servidores daquela instituição, de conhecimento comum. Tudo era claro e incontroverso de que o diretor imediato do hospital era um dos principais beneficiários de um esquema que sucateia o equipamento público e remete os pacientes à sua própria clínica.

Também não pode ou soube explicar porque a escala de comando permitia que a ex-administradora do Hospital do Câncer e da Neorad, e sem vínculo profissional com o HU, Betina Siufi, filha de Adalberto Siufi, sócio de Dorsa na empresa, determinava “o que o HU deveria comprar”, extrapolando suas funções e se sobrepondo à real responsável, Regina Borges.

A reitora Célia preferiu responsabilizar o vice-reitor João Ricardo Tognini pela administração do Hospital. Dorsa se disse o maior interessado pelo bom funcionamento do Hospital e culpou a administração anterior pelo caos. Num mar de enganos, parece que todos são inocentes, exceto os pacientes e funcionários.

CPI necessária

Sempre defendemos a CPI como melhor forma de divulgação do encaminhamento das questões, exatamente pela exposição pública, e isto ficou patente quando a física médica Regina Borges fez uso da acareação para apresentar novas denúncias. Entregou documentação do Instituto Nacional do Câncer (Inca), recebida e assinada pela reitora Célia Maria, que a nomeava responsável pela manutenção do serviço, mas, estranhamente, não foi informada. “A reitora Célia Maria assinou este documento, [...] e mesmo assim não me falou nada”.

Outra questão a ser esclarecida – ou ser reputada ao excesso de afazeres de uma reitora que a impedem de acompanhar a instituição que dirige ou causam lapsos de memória por estresse de funções – é em relação ao relatório do Conselho Nacional de Energia Nuclear (CNEN) que apontava 22 irregularidades que impediriam o funcionamento da radioterapia no Hospital; sendo que havia um relatório da Vigilância Sanitária Estadual garantindo que a situação estava regularizada, os problemas haviam sido resolvidos. A reitora, de posse desses documentos, não os enviou ao CNEN. Regina Borges fez a comunicação e o serviço foi liberado, mas até o momento, conforme relata Regina, “pessoas estão na fila aguardando atendimento porque a direção do hospital, não sabemos por quais motivos, não libera a radioterapia”.

Com relação à antiga administração, a física relatou que a radioterapia funcionou bem no período em que o Dr. Norberto trabalhava na unidade. “Ele poderia não ser contratado com dedicação exclusiva, mas era isso que ele fazia lá. O serviço funcionava entre as 6h e 20h. Se fosse preciso, ele dormia no hospital”, elogiou.
Mesmo os integrantes da CPI, que num primeiro momento pouca atenção deram ao caso, demonstraram indignação e chegaram à conclusão conforme dita por Flávio Cesar, seu presidente: Houve um direcionamento dos administradores do hospital para a inviabilização da oncologia do HU para atender interesses ou empresas privadas”. Ainda serão ouvidos o ex-diretor do Hospital do Câncer, Adalberto Siufi e o vice-reitor da UFMS, João Ricardo Tognini.

A reitora Célia afirmou que fará o que nunca parece ter feito, “trabalhará arduamente para reativar a ala de oncologia, se empenhará para contratação de novos rádioterapeutas, que se demitiram recentemente, inviabilizando o tratamento no HU/UFMS e que agora atuam somente na Neorad, empresa do médico Adalberto Siufi”.  
A física Regina Borges relatou que “ouve-se dizer pelos corredores que Dorsa permanece no hospital opinando e que somente ‘não assina’ os documentos da diretoria do Hospital, influenciando decisões”. Neste mar de inocência, deve ser apenas malendicência popular.



Se não fosse governador, seria boiadeiro

Definitivamente essa frase não foi pinçada de qualquer fala que o governador André Puccinelli tenha proferido, mas pode ser observada em sua forma de governar. Claro como a água quando sacrifica a secretária de Saúde, Beatriz Dobashi, buscando proteger o restante núcleo de seu governo.

Não há como acreditar, por mais que nos tentem fazer acreditar, que dirigentes, sejam eles de governo, de autarquias, de secretarias, de universidades federais, de hospitais, nunca saibam do que lhes vai abaixo do nariz.

Sabemos que não andam nas ruas, não fazem parte do cotidiano dos simples mortais. Sabemos até que alguns têm ojeriza a esta massa disforme de ninguéns. Mas é demais supor que não se informem pela imprensa, que não ouçam o sussurrar das antessalas.

Que seja. Mas até quando vão poder disfarçar a voz que vem ecoando forte das ruas? Até quando os elos mais fracos das correntes vão poder lhes dar sustentação nestes desvios? Constituir comissões com apaniguados, ardorosos defensores do poder sem luz, já não desvia a atenção de um povo que teima em questionar em plenário, ao vivo, em cores e cheiros, as atitudes destes títeres.

Não há como apagar da foto a presença forte do comandante em chefe, antes intocável. Haverá o momento em que deverá se explicar. Não basta tirar do foco o nome que se destaca, sua digital está lá e ele será cobrado como real autor, mesmo que sacrifique o coadjuvante.

Boiadeiro, cuidado. O estouro da manada está próximo. E o boiadeiro experiente não morre sob as patas do gado. Entenda, o estouro da manada nunca acontece por acaso, alguém o provoca. 


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Em tempo de crise, Puccinelli compra adversários

André Puccinelli (PMDB), conquistar e sufocar.
Como a vida não tem sido fácil para os políticos e sabendo que não mantém seu partido no poder, ou galga o cargo de senador nas eleições de 2014, o governador André Puccinelli (PMDB-MS) prefere inverter a ordem natural das coisas. Ao invés de investir em aliados e seus políticos de algibeira que capengam em busca de uma suposta votação que lhes permita cargos, prefere comprar os adversários e os alça aos sonhados cargos de DGA-1, com salário acima R$ 8 mil, que antes era reservado aos aliados sem cargo eletivo.

Alguns, anteriormente agraciados com tal mimo, conseguiram suas eleições no pleito de 2012, caso de Roberto Hashioka, outros aguardaram pacientemente pela cobiçada vaga, que veio com a exoneração de 137 comissionados. Agora, o momento é de barganha.



Briga Prefeitura x Câmara deixa Campo Grande estagnada

Alcides Bernal e Mario Cesar.
Foto: Deurico Ramos (CapitalNews)
O mundo se movimenta, os ventos sopram e arrastam mazelas públicas, as ruas estão em ebulição clamando por mudanças e, em Campo Grande, tudo estagnado. A Capital está atônita, parada, assistindo à queda de braço entre o executivo e o legislativo. De um lado, Alcides Bernal, eleito prefeito, mas que pretende ocupar todos os cargos disponíveis na administração, a começar pela função de estafeta e por ai avante; de outro o legislativo comandado pela tropa de choque do antigo governo municipal (e estadual) que teima em exercer uma defesa sem sentido e perde precioso tempo (pago por nós, contribuintes) em ataques (nem todos sem sentido) desviando de suas melhores funções.

A mais recente briga entre vizinhos de muro baixo, promete terminar na delegacia de polícia, o que dá bem o traço do nível dos embates. Segundo os vereadores, o prefeito se recusa a apresentar os documentos solicitados pela CPI do Calote, Bernal diz que enviou 10 caixas de documentos, mas falta que os nobres edis decidam e indiquem “quais” documentos desejam. Chegaram a ameaçar com o uso de força policial se a determinação não for cumprida.

Depois que o prefeito resolveu rasgar o verbo, dizendo que a função primeira do legislativo é defender o povo e não empresas específicas. Afirmou que as empresas foram pagas e, caso algum pagamento ainda esteja em atraso é devido a problemas burocráticos e o questão da coleta de lixo, está judicializada.


Talvez por estar provocando maiores desgastes à imagem já corroída dos poderes, e temendo a exposição pública, por fim os vereadores decidiram ampliar o prazo para que os documentos sejam apresentados. Caso isso não ocorra, não descartam a possibilidade de convocação dos secretários, que é a melhor maneira de expor, também a eles, à apreciação pública.